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Vitória traz alívio, mas grupo embolado deixa Flamengo no fio da navalha

Pedro comemora gol pelo Flamengo contra o Barcelona de Guayaquil pela Copa Libertadores 2020 - RODRIGO BUENDIA / POOL / AFP
Pedro comemora gol pelo Flamengo contra o Barcelona de Guayaquil pela Copa Libertadores 2020 Imagem: RODRIGO BUENDIA / POOL / AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/09/2020 08h40

Foram 35 minutos de bom futebol do Flamengo em Guayaquil. Com qualidade nos passes para compensar a falta de velocidade e profundidade no ataque desfalcado de Gabigol, Bruno Henrique, Pedro Rocha, Michael e Vitinho.

Em um 4-2-3-1, com Gerson aberto pela esquerda e De Arrascaeta deitando e rolando nos generosos espaços cedidos pelo Barcelona entre defesa e meio-campo. Na frente, Pedro fazia o pivô e rondava a área para finalizar, mas também abria espaços para os companheiros. Assim o atual campeão sul-americano construiu os 2 a 0 com relativa tranquilidade.

Tudo começou a mudar ainda antes do intervalo. Primeiro o time rubro-negro claramente se desconcentrou diante da facilidade, depois foi cansando, até pela falta de opções no banco, e repetindo velhos erros defensivos.

Especialmente pela esquerda, um setor frágil desde os tempos de Jorge Jesus e até de Pablo Marí - por ali, Vasco, River Plate, Santos e Al Hilal criaram jogadas de gols no final do ano passado. Léo Pereira e Renê vacilaram e o time equatoriano voltou para o jogo com o gol de Martínez. Poderia ter empatado em nova falha pelo setor esquerdo rubro-negro, mas o goleiro César salvou.

A vitória trouxe alívio pelo contexto de sete casos de Covid-19 no elenco, fora os quatro desfalques por lesões e suspensão. Tudo isso depois da maior derrota do time na história da Libertadores.

Os três pontos pareciam encaminhar bem a classificação no Grupo A, porém veio a surpresa logo em seguida: o favorito Independiente del Valle, em sua primeira partida no torneio fora do Equador, foi goleado por 4 a 1 pelo Júnior de Barranquilla, sem Borja e Teo Gutierrez.

Resultado impressionante, e poderia ter sido mais elástico já que o time colombiano perdeu chances claras nos dois tempos. Assustou a falta de intensidade, até um certo desinteresse, da equipe de Miguel Angel Ramirez.

Confiança excessiva depois da goleada sobre o Flamengo? Foco no jogo decisivo contra o Barcelona pelo campeonato nacional que fez Moisés Caicedo começar no banco de reservas? Ou o time não é tão poderoso sem a altitude? Difícil entender.

O rubro-negro otimista pode olhar para a classificação e ver uma chance que parecia perdida de terminar líder do grupo. Até pelos dois jogos que restam no Maracanã.

Mas o contexto torna tudo muito perigoso. Difícil prever quantos dos que testaram positivo agora estarão liberados para o jogo contra o Del Valle na próxima quarta-feira, aproveitando a "brecha" que beneficiou o Boca Juniors contra o Libertad.

Novos contaminados podem se somar à lista de ausentes e os que sobrarem terão o desgaste da partida contra o Palmeiras, caso esta não seja adiada, atendendo pedido do próprio Flamengo.

O cenário é complexo. Se for novamente derrotado pelo Del Valle e o Júnior cumprir a obrigação vencendo o eliminado Barcelona, o Fla chegaria à última rodada com a obrigação de vencer a equipe de Barranquilla, que entraria com vantagem pelo saldo de gols - ambas estão zeradas.

Ainda que a partida que encerra a fase de grupos seja só no dia 21 de outubro, a situação não é tranquila. Antes a segunda vaga parecia garantida, agora pode ser líder ou parar na Sul-americana.

O campeão está no fio da navalha e vai precisar do poder de superação que mostrou em Guayaquil para sobreviver no torneio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL