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André Rocha

Tiago Nunes sofre para combinar técnica e velocidade no Corinthians

Jô lamenta chance perdida durante partida contra o Fortaleza pelo Brasileirão - Ettore Chiereguini/AGIF
Jô lamenta chance perdida durante partida contra o Fortaleza pelo Brasileirão Imagem: Ettore Chiereguini/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/08/2020 08h55

No início de agosto, o Corinthians foi vice-campeão paulista, derrotado nos pênaltis pelo rival Palmeiras, com um quarteto ofensivo formado por Ramiro, Luan, Mateus Vital e Jô. Mais o apoio de Ederson, decisivo nas vitórias sobre Red Bull Bragantino e Mirassol.

O time de Tiago Nunes, porém, sofria sem um escape de velocidade para os contragolpes em uma proposta mais reativa contra o maior rival na decisão. Alcançou seu único gol em um abafa final com o pênalti sofrido e convertido por Jô.

Já na partida adiado da quinta rodada, no final do mês, a equipe paulista entrou em campo contra o Fortaleza em Itaquera mantendo Jô no centro do ataque, mas apostando em um trio totalmente diferente: Ruan, Araos e Léo Natel. Motivada pela aparente melhora nos 3 a 1 sobre o Coritiba. Mais intensidade e rapidez, ao menos em tese.

Contra os comandados de Rogério Ceni, porém, faltou espaço para acelerar os ataques. Mesmo com os movimentos de Ruan por dentro abrindo o corredor para Fagner e as incursões de Natel em diagonal. Araos tentava entregar dinâmica no trabalho com os volantes Ederson e Cantillo e se aproximando de Jô, mas errava tecnicamente, muitas vezes por afobação.

O Fortaleza se fechava às vezes recuando Romarinho, aberto pela direita, até a lateral para acompanhar Sidcley e tentava acelerar com Osvaldo pela esquerda e David, que fazia companhia a Wellington Paulista na frente. Em uma ligação direta do goleiro Felipe Alves, quatro toques na bola e o gol de Romarinho.

Nem a solidez defensiva de outros jogos, nem a criatividade tão desejada na frente. Foi na ocupação um tanto desordenada do campo de ataque, com Boselli se juntando a Jô na frente e Mateus Vital, Luan e Gustavo Mosquito também saindo do banco para formar um quinteto ofensivo, que o Corinthians arrancou o empate meio à forceps com Luan, que ainda chutou uma bola no travessão após desvio de Jô.

Foram 21 finalizações, sete no alvo. Mais 59% de posse, porém sem configurar um domínio absoluto do jogo. Porque o Corinthians sofre para controlar os jogos e não consegue combinar técnica e velocidade. Talvez Tiago deva insistir com Luan - não por acaso defendeu o camisa sete na coletiva pós-jogo. Ou dar mais oportunidades a Mosquito, que melhorou a produção ofensiva pela esquerda quando esteve em campo.

O fato é que a transição do pragmatismo na volta do futebol para tentar o tetra paulista a um estilo mais "rock'n'roll" que é a meta de Tiago desde o início do trabalho se mostra mais difícil que o planejado. A pressão em um clube gigante e vencedor atrapalha, mas têm faltado melhores escolhas e execução mais competente.

Desta vez houve tempo para treinar, agora a maratona de jogos retorna e já tem clássico "Majestoso" no domingo às 11h. Contra o São Paulo de Fernando Diniz que também vem oscilando entre as ideias do treinador e a necessidade imediata de entregar resultados. Como será no Morumbi?

(Estatísticas: SofaScore)