PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

Genial é a avalanche do Bayern semifinalista e favorito da Champions

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

14/08/2020 17h50

A prévia do confronto mais pesado em termos de tradição nas quartas-de-final da Liga dos Campeões precisava deixar uma janela aberta para o Barcelona por causa de Messi e também da história de quatro títulos do clube catalão neste século. Mas a única esperança era mesmo uma noite inspiradíssima do gênio argentino combinada com uma atuação muito abaixo do padrão do Bayern de Munique.

Porque o octacampeão da Bundesliga joga o melhor futebol da Europa e busca repetir a tríplice coroa de 2012/13. Com um volume de jogo absurdo, adiantando linhas e assumindo um risco alto. Quando o Barça saiu da pressão criou muitos problemas no período em que empatou com o gol contra de Alaba e teve nos pés de Messi a chance da virada.

Mas a equipe bávara comandada por Hans-Dieter Flick confia no trabalho coletivo, na capacidade de gerar jogo dos onze em campo, inclusive do goleiro Neuer de ótima leitura de espaços. E quando encaixa ataques seguidos e emenda bolas roubadas no campo adversário cria uma avalanche difícil de resistir.

Dois de Muller, que deitou e rolou às costas de Busquets. Um de cada ponteiro do 4-2-3-1: Perisic e Gnabry sempre buscando as diagonais nos espaços deixados pela movimentação intensa de Lewandowski. E depois de um relaxamento natural no início da segunda etapa e o gol de Suárez, a humilhação da jogada espetacular de Alfonso Davies sobre Semedo até servir Kimmich, o lateral direito pisando na área adversária. E, claro, o décimo quarto de Lewandowski no torneio. Ainda a crueldade da "lei do ex" com Philippe Coutinho entrando no segundo tempo e completando a goleada histórica com mais dois gols.

Como se defender por todos os setores e com tamanha intensidade e enorme poder de fogo? O frágil Barcelona de Quique Setién até tentou, montando uma segunda linha de quatro mais conservadora com Sergi Roberto, Busquets, De Jong e Vidal. Em nenhum momento, porém, encontrou boas respostas. Como será difícil para Manchester City ou Lyon na semifinal em Lisboa.

Foram 26 finalizações, metade no alvo. E os 8 a 2 saíram barato, até porque o gigante alemão nunca diminuiu o ritmo, mesmo depois das substituições. Inclusive com Coman perdendo uma chance incrível. Poderiam ter enfiado dez gols em Ter Stegen, um dos melhores goieiros do mundo. Para dimensionar o feito do vencedor. Que venceu todas as partidas desta edição com média superior a quatro gols por partida.

Messi é o melhor que este que escreve viu num campo de futebol. Mas genial mesmo é a avalanche do Bayern semifinalista e favorito ao sexto título de sua história.

(Estatísticas: UEFA)