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André Rocha

PSG vira a história com a redenção de Neymar quando ganhou companhia

Neymar e Mbappe comemoram um dos gols do PSG sobre a Atalanta, nas quartas de final da Champions - David Ramos/Getty Images
Neymar e Mbappe comemoram um dos gols do PSG sobre a Atalanta, nas quartas de final da Champions Imagem: David Ramos/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

12/08/2020 18h35

Sem Di María, Cavani e com Mbappé no banco, Thomas Tuchel tentou armar uma "arapuca" para a Atalanta usando sua estrela solitária.

Neymar como uma espécie de "enganche" no 4-3-1-2 jogando entre defesa e meio-campo do adversário. Os volantes De Roon e Freuler saíam para caçar Gueye e Ander Herrera, os "carrileros" do Paris Saint-Germain, e deixavam um buraco que Neymar explorava e estourava em cima de Caldara, o zagueiro central do trio no 3-4-2-1 de Gasperini.

O "efeito dominó" se deu logo aos dois minutos. Neymar cruzou o campo e saiu na frente do goleiro Sportiello, mas errou a finalização. Acabamento foi o grande problema do PSG nos primeiros 45 minutos. Foram quatro finalizações, mas apenas uma no alvo. O camisa dez ainda perderia mais uma grande oportunidade. Poderia se tornar um vilão, mesmo gerando jogo, criando e compensando a indigência de Icardi e Sarabia, os dois atacantes escalados.

Porque a Atalanta manteve sua ideia de jogo, mesmo em uma partida decisiva. Atacando, defendendo e surpreendendo. Com Hateboer, o ala direito, aparecendo na área para finalizar. E Rafael Toloi, o brasileiro que joga pelo lado direito da zaga, iniciando a jogada e infiltrando como opção no ataque que terminou no gol de Pasalic. Uma das quatro conclusões na direção da meta de Keylor Navas.

A Atalanta marca correndo, com encaixes e perseguições individuais. Pressiona quem está com a bola e, quando é driblado, faz a falta para não desmontar o sistema. Foram 29 infrações cometidas. Seis cartões amarelos, problema minimizado pelas cinco substituições e os cuidados para evitar violência e um jogador acumular faltas.

Mas é uma proposta que desgasta física e mentalmente. Compensada pela inteligência dos atletas, que na retomada da bola, mesmo com o time, em tese, desorganizado, sabem executar qualquer função. E Gasperini tem um elenco homogêneo, capaz de repor o "maestro" Papu Gómez com o bom meia Malinovskyi. E tentar acelerar os contragolpes com Muriel, que entrou na vaga de Pasalic. Mesmo com Zapata se arrastando.

Com a desvantagem, Tuchel precisou apelar para Mbappé nos 30 minutos possíveis. Mais Paredes, Draxler e Choupo-Moting, além da perda de Navas, substituído por Rico. Foi avançando e criando, porém falhando novamente no acabamento. Chutes fracos de Mbappé e Neymar em boas oportunidades.

Mas valeu pela persistência até o fim. A virada veio com Neymar participando dos dois gols. Servindo Marquinhos no empate, com a bola ainda batendo em Caldara. E no passe precioso para Mbappé na profundidade e a assistência do astro francês para Choupo-Moting, o heroi improvável da classificação.

Um duro golpe para os italianos, mas não pode culpar a falta de sorte. Apenas quatro finalizações, nenhuma no alvo na segunda etapa. Contra 12, cinco na direção da meta de Sportiello. O PSG quis demais e pôde quando colocou qualidade em campo.

Vira a história com a redenção do craque brasileiro. E fica a lição para a semifinal, contra Atlético de Madrid ou Leipzig: bem acompanhado, Neymar cresce demais e é fundamental para manter o sonho vivo.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL