PUBLICIDADE
Topo

Galo vence Flamengo porque não foi punido quando errou

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros ?1981? e ?É Tetra?. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

09/08/2020 18h34

A escalação inicial de Jorge Sampaoli no Maracanã sugeria muitas possibilidades. A mais improvável era Gabriel saindo como volante para caçar Gérson na construção, deixando a zaga com Igor Rabello e Junior Alonso. Foi o que aconteceu na prática e não deu certo.

Porque Gabriel chegava atrasado e permitia a construção com liberdade do meio-campista rubro-negro. E ainda complicava a saída de bola com erros de passe. Para piorar, Igor Rabello sofria para acompanhar a velocidade de Bruno Henrique. Depois que passou a sair da pressão atleticana no campo de ataque, o passe saía limpo e os ataques e contragolpes do Fla saíram em série.

Mas nenhuma foi às redes de Rafael. A chance mais clara com Bruno Henrique, que ganhou do goleiro e de Rabello, mas preferiu chutar sem ângulo com Gabigol livre e atrás da linha da bola. Na trave. Mais oportunidades com Everton Ribeiro, Arrascaeta e o próprio Gabigol. Erros técnicos incomuns - falta da torcida impacta na concentração ou o péssimo gramado pesou? Foram 10 finalizações em 45 minutos, com 67% de posse. Com formação inicial e estilo herdados de Jorge Jesus.

O Galo concluiu cinco, só uma na direção da meta de Diego Alves: contragolpe rápido de Nathan, escalado como "falso nove", servindo Savarino, que bateu para boa defesa do goleiro do Fla. Seria o segundo, porque o primeiro aconteceu em bela combinação pela esquerda entre Marquinhos e Guilherme Arana e Filipe Luís, sem ninguém do oponente acossando, errou e marcou contra.

Antes do fim do primeiro tempo, a substituição de Sampaoli para corrigir o equívoco que não foi punido pelo campeão brasileiro e sul-americano. Com Jair na vaga de Gabriel, o meio ficou mais preenchido num 4-3-3, diminuiu as falhas na saída da defesa e minou o Fla mentalmente. Foram sete finalizações do time da casa na segunda etapa, nenhuma no alvo. O Galo respondeu com cinco, três na direção certa. Também subiu a posse para 38%.

Ainda conhecendo o elenco, o estreante Doménec Torrent arriscou um 2-3-5 com as entradas de Pedro, Vivinho e Michael nas vagas de Arrascaeta, Gerson e Everton Ribeiro. Mas Filipe Luís não compensou a falta de um articulador por dentro. É inegável que desorganizou a equipe, embora seja precipitado já cobrar forte do novo treinador. O Atlético também ficou mais estruturado com as substituições, ainda que o plano de matar nos contragolpes com Marrony, Keno e Hyoran não tenha sido bem-sucedido.

Foi o suficiente para somar três pontos que podem contar demais na sequência do campeonato. Se os testes positivos de Covid-19 não inviabilizarem o calendário com partidas adiadas. O bom jogo no Maracanã serve de alerta para o Flamengo e também funciona como carta de intenções do Galo que deve brigar no pelotão de cima. Sonhando com o título que não vem há quase cinco décadas.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL