PUBLICIDADE
Topo

Grêmio vence mais um Grenal, mas desta vez com muito na conta de Coudet

André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros ?1981? e ?É Tetra?. Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

06/08/2020 00h00

O Grêmio novamente teve calma, organização e cultura da vitória para se impor diante do maior rival no Gaúcho. Com os 2 a 0 em sua Arena, conquista o returno e está na final contra o Caxias.

Mas o Gre-Nal 426 - o terceiro do estadual, todos vencidos pelo time de Renato Gaúcho - está marcado pelas escolhas mais que questionáveis de Eduardo Coudet, treinador argentino do Internacional. A começar pela mais inexplicável: a insistência com Damián Musto. Volante com sérias limitações na circulação da bola, posicionado junto aos zagueiros sem qualificar a saída da defesa. Ainda fazendo faltas tolas e falhando no posicionamento defensivo.

Difícil entender também a movimentação de Marcos Guilherme, que sempre rende mais aberto, atacando por dentro e Thiago Galhardo, escolha para fazer companhia a Paolo Guerrero no ataque dentro da execução do 4-1-3-2, abrindo na ponta e isolando o camisa nove, que não tinha uma grande colaboração de Edenilson, volante de infiltração posicionado como um meia central, muitas vezes jogando de costas para a marcação.

Para piorar, a já habitual pilha errada, confundindo intensidade com truculência e errando os passes decisivos, facilitando novamente o trabalho de Geromel e Kannemann, mais uma vez garantindo a meta sem ser vazada. A cada revés colorado, mais tensão e a guarda baixa na primeira dificuldade.

Melhor para o Grêmio seguro atrás, com Bruno Cortez correto pela esquerda e Orejuela acelerando pela direita. A melhor opção ofensiva no primeiro tempo. Do lado oposto, Everton Cebolinha, em sua provável despedida antes de se apresentar ao Benfica de Jorge Jesus, levava vantagem sobre Rodinei, mas, talvez ansioso, também errava a jogada para definir.

Até acertar no cruzamento que encontrou Diego Souza e este preparou para Maicon infiltrando com liberdade. Onde estava Musto, o protetor da zaga, ao menos em tese? O gol desestabilizou de vez o Inter e deu ainda mais confiança ao time mandante. Isaque entrou na vaga do discreto Jean Pyerre e apareceu na área para definir o clássico aproveitando falha grotesca de Moisés. Mais um elo fraco colorado. Outra participação importante do Cebolinha.

Com as expulsões de Orejuela e Patrick, que entrou no lugar de Marcos Guilherme, os espaços sobraram e o Grêmio empilhou oportunidades desperdiçadas, especialmente nos acréscimos. Mas nem foi preciso, o tricolor encaminhou a vitória bem antes. Por méritos próprios, mas também por conta dos muitos equívocos do Internacional.

Especialmente de seu treinador, que só foi derrotado três vezes desde que assumiu a equipe. Todas para o maior rival. Ainda que tenha dominado no empate pela Libertadores, a partida mais importante, há muito a refletir projetando as principais competições da temporada. Em jogos grandes não pode errar tanto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL