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Por que o Brasil jogou em Orlando: CEO de comissão local conta estratégia

Com mais de 60 mil torcedores presentes no Camping World Stadium, o empate em 1 a 1 com o Brasil marcou um recorde para a seleção americana: seu maior público da história no enorme estado da Flórida. E o local do confronto não foi escolhido ao acaso.

A coluna conversou com o CEO da Comissão de Esportes de Orlando, Jason Siegel, que compartilhou os planos da cidade para atrair mais brasileiros e eventos esportivos. E, de preferência, os dois juntos.

Um dos principais artífices dessa parceria, que culminou com o amistoso entre EUA e Brasil, é o ex-jogador Ricardo Villar, há anos radicado na Flórida. Com a ajuda dele, da cidade e de empresários, a conversa com as confederações caminhou e Orlando se tornou palco do último jogo preparatório antes da Copa América — a cidade também vai receber duas partidas da competição.

Talvez não surpreenda ninguém o fato de que brasileiros representam o terceiro maior grupo de visitantes internacionais à região. Confesso que me surpreendeu o volume total de visitantes: Orlando recebe 74 milhões de pessoas por ano, o maior número do país. Em 2023, foram cerca de 700 mil brasileiros (número 21% maior que em 2022). Os canadenses lideram a lista, com quase 1,3 milhão, seguidos de Reino Unido e Irlanda, com 877 mil.

Qual é o segredo da cidade para atrair tanta gente? "Nossa hospitalidade não acaba na porta dos parques temáticos", acredita Siegel. "Somos especialistas em receber pessoas, em garantir a melhor experiência desde que chegam no aeroporto. Estamos de olho em detalhes, na comida, nas diferenças culturais, em cada placa do gramado."

Mas o que eventos esportivos significam para além dos visitantes esporádicos, que se locomovem a fim de assistir a uma partida específica? "Pensamos em três áreas: o visitante, aquela pessoa que pode se mudar para criar sua família aqui, tornando-se parte da comunidade, e empresas buscando investir na região, transferindo suas sedes para cá, por exemplo", contou Siegel.

A tal da hospitalidade é tão forte, que a cidade foi acionada para ajudar a convencer o jovem atacante do Monaco Folarin Balogun a escolher a seleção americana, deixando para trás Inglaterra e Nigéria. Siegel conta que recebeu um chamado da US Soccer: "Seu país precisa de você!" Estenderam o tapete vermelho, o melhor hotel, os melhores restaurantes e os disputados courtside seats, assentos à beira da quadra para ver o Orlando Magic da NBA. Se foi por isso não sabemos, mas Balogun vai defender os EUA na próxima Copa.

"Nossa abordagem é colaborativa. Nossos representantes eleitos e empresários entendem que juntos podemos trazer o melhor para a cidade", explica o CEO da comissão. "E acho que os brasileiros gostam do nosso jeito caloroso, receptivo e inclusivo. O fato de que grande parte da população aqui é hispânica também ajuda. Em Osceola County, metade da população fala espanhol."

Siegel não esconde seu maior desejo do momento, quando o assunto é Brasil: convencer a CBF a fazer seu centro de treinamento pré-Copa do Mundo de 2026 na cidade. Pelo que a coluna apurou, não vai ser difícil convencer os jogadores a passar uns dias na cidade — nem brasileiros, nem americanos.

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O orçamento da cidade para investir na candidatura a eventos esportivos saltou de 4 milhões para 10 milhões de dólares em 2024, com expectativa de alcançar 90 milhões nos próximos oito anos.

"O sonho americano está vivo e vai muito bem", finalizou Siegel. Com tanta grana no bolso e um trem de alta velocidade que liga a cidade a Miami em 3 horas e meia, vai ser mesmo difícil competir com os gringos.

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