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Hipócrita, Neymar faz caridade enquanto burla leis e afronta mulheres

O Instituto Neymar Jr realizou ontem um leilão beneficente, arrecadando cerca de R$ 21 milhões. Que bom. A quantia é duas vezes maior que a levantada em 2023, quando o evento teve transmissão ao vivo da CazéTV.

Neste ano, em versão mais "intimista", poucos boleiros e celebridades de peso marcaram presença.

Há poucos dias, Neymar disse que deveria "enfiar um sapato na boca" de Luana Piovani, confrontado por seu apoio à PEC de privatização das praias brasileiras. Criticado por uma mulher que parece ter zero medo dele, partiu para cima com as armas mais conhecidas do machismo. Chamou de louca, velha, acusou-a de estar a fim dele e umas outras tantas barbaridades. Mas nada, na minha opinião, tão nocivo quanto o sapato na boca.

O sapato na boca sugere violência física. Vias de fato mesmo. Cale a boca, senão eu vou calar, sua maluca.

Na prática, o que aconteceu com o jogador depois do episódio, além de virar o assunto da semana? Nada. Até o presente momento, não perdeu patrocinadores, nem o emprego, nem o apoio público de pessoas importantes, da CBF, do técnico da seleção brasileira. Nada.

Talvez tenha perdido alguns convidados na festa de ontem. E só.

Neymar foi acusado de sonegar milhões de reais em impostos. Neymar vazou fotos íntimas de uma mulher enquanto era investigado por violência sexual. Neymar foi acusado de forçar uma funcionária da Nike a fazer sexo oral, recusou-se a colaborar com as investigações e teve seu contrato rompido. Neymar ajudou a pagar pela liberdade de Daniel Alves, um estuprador condenado. Neymar promoveu uma festa imensa no meio da pandemia e desrespeitou a legislação ambiental para realizar obras na sua mansão. Neymar quer privatizar praias. Neymar traiu diversas vezes a companheira grávida. Neymar falou em enfiar um sapato na boca da velha louca que ousou enfrentá-lo.

Ah, mas ele está fazendo caridade, usando sua imagem para ajudar quem precisa. Primeiro, não faz mais que a obrigação para um cara que fatura cerca de R$ 1 milhão por dia. Segundo, sabe o que também ajuda quem precisa? Pagar imposto. Deixar as praias em paz. Proteger a natureza e a saúde pública. Contribuir no combate à violência contra a mulher.

Só que aí não tem publicidade. Não tem tapete vermelho e gente passando a mão na sua cabeça. Não tem repórter perguntando sobre sua possível volta ao Santos. Não tem balada com parça e palmas pelo gesto nobre. Não tem influenciadores e patrocinadores em hotel bacana. Não tem holofote para o "Menino Ney". Como diz um amigo meu, ninguém curte post de uma DARF paga. Aí não tem graça, né?

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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