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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Com Abel, Palmeiras praticamente não perde e Rony alcança Pelé

Rony comemora seu 2° gol marcado pelo Palmeiras na partida contra o Cerro Porteño, válida pela ida das oitavas da Libertadores - NORBERTO DUARTE / AFP
Rony comemora seu 2° gol marcado pelo Palmeiras na partida contra o Cerro Porteño, válida pela ida das oitavas da Libertadores Imagem: NORBERTO DUARTE / AFP
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

30/06/2022 12h07

Não sei se há a real perspectiva do que este Palmeiras está fazendo na Libertadores.

Não sei se pela desconfiança genética que, essa sim, corre nas veias dos palmeirenses. Não sei se por estarmos dentro do momento, e por isso, sem a visão do todo. Não sei se por algum resquício de má vontade.

Já falei aqui sobre a surrealidade do momento alviverde, mas os números não param de cimentar a maior era da história do clube. E uma das dinastias mais impressionantes do futebol brasileiro como um todo.

Ah, calma, miga. Só ganhou do Cerro Porteño, vai.

Só ganhou de 3 a 0, fora de casa, na fase de mata-mata. Ninguém até agora fez isso. Ainda falta a partida entre Fortaleza e Estudiantes, mas na primeira leva das oitavas da Libertadores 2022 apenas uma outra equipe venceu como visitante. O Flamengo, que bateu o Tolima por 1 a 0.

O Palmeiras goleou (sim, três gols de diferença, para mim, é goleada). Como já fizera em praticamente todos os confrontos da fase de grupos, quando venceu por 4x0, 8x1, 3x1, 5x0, 1x0 e 4x1.

O aproveitamento de Abel Ferreira em Libertadores é de quase 83%. Perdeu apenas duas vezes - mesmo número de vezes em que foi campeão, aliás. Ontem, igualou o recorde de Vasco, Santos, Cruzeiro, Estudiantes e Peñarol, conquistando a oitava vitória consecutiva. Ampliou, ainda, o recorde de invencibilidade fora de casa na competição: 19 jogos.

Sob seu comando, Rony, o Rony que a torcida ama odiar e odeia amar, voltou a ser o maior artilheiro da história palmeirense na Libertadores de forma isolada. Com 16 gols e dois títulos, alcançou as marcas de, pasmem, Pelé e Zico. Sim, Abel ajudou a colocar Rony no patamar de conquistas de Pelé e Zico.

Contando todas as competições, o aproveitamento do Palmeiras no ano é de 78%. Perdeu três das 42 partidas que disputou. Lembrando que 75% delas aconteceram com apenas dois dias de intervalo. Não foi bem em todas, por óbvio. Apresentou alguns desempenhos sofríveis e quase não venceu várias. Mas só perdeu três.

Isso comprova o óbvio: é muito, muito difícil ganhar desse time do Abel. Em qualquer dia, com qualquer formação, por qualquer torneio. Conseguir essa consistência no país das inconsistências, com um elenco de excelentes jogadores mas raros craques, fazendo de Rony um artilheiro recordista, é absolutamente fantástico.

Claro, ele tem toda a estrutura para isso. Mas outros também têm/tiveram e não chegaram nem perto dos feitos do português.

Não se deixem levar pelo ceticismo, não normalizem o que é extraordinário e, menos ainda, minimizem por qualquer motivo o que está acontecendo aqui. Porque é - e não tenham medo de cravar - histórico.