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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Apenas um grande treinador entre Abel Ferreira e Jorge Jesus

Abel Ferreira e Jorge Jesus - Montagem sobre fotos Agif
Abel Ferreira e Jorge Jesus Imagem: Montagem sobre fotos Agif
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

05/05/2022 13h05

Duas coisas estão repercutindo muito nas minhas bolhas ludopédicas.

A mensagem de Jorge Jesus ao Flamengo: quero voltar, espero até o dia 20, beijos.

A fala de Casagrande, comparando o trabalho de JJ ao de Abel Ferreira. Casão diz que não temos contraprova de Jesus. Qual a garantia de que 2019 não foi um acidente? Abel ganhou, foi criticado, segurou a bronca, ganhou de novo. E segue ganhando até hoje. Jesus escolheu ir embora.

Agora, Jesus busca cavar um lugar no Flamengo, retornar aos braços do amado, provar o que seja a quem ache que ele tem algo a provar. Mas da pior maneira possível.

Lembrando que o Flamengo partiu atrás dele depois da saída de Renato Gaúcho. Bateu à sua porta em Portugal. Não houve acordo com o Benfica e o rubro-negro acabou fechando com Paulo Sousa.

Dias depois, em 28 de dezembro, o clube português anunciou a rescisão de contrato com Jesus, mas já era tarde. No dia seguinte, Sousa assinou um contrato de duas temporadas com o Flamengo.

Agora, quatro meses depois, JJ aporta no Rio e dá uma das declarações mais antiéticas dos últimos tempos. Nem se deu ao trabalho de conversar discretamente com a diretoria do Flamengo. Tenta sabotar o compatriota em público mesmo, sem pudores, aumentando a pressão sobre o técnico atual e colocando pressão sobre o clube.

Paulo Sousa, que também não hesitou em largar a seleção da Polônia, bancando a multa rescisória do próprio bolso, enfrenta um início de trabalho claudicante. Sobrevive dos lampejos de talento de alguns jogadores fora de série. Mas são quatro meses de trabalho. Poucos são os que conseguem imprimir seu estilo e alcançar resultados em tão pouco tempo.

Tão poucos que são apenas dois: Jesus e Abel. E, destes, aparentemente só um sabe ser realmente grande, dentro e fora de campo. Uma pena.