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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que sabemos antes do último capítulo do Brasileirão

Atlético-MG já é o campeão a uma rodada do término do Brasileirão - Fernando Moreno/AGIF
Atlético-MG já é o campeão a uma rodada do término do Brasileirão Imagem: Fernando Moreno/AGIF
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

07/12/2021 14h02

Tivemos um campeão e dois rebaixados antes de ter todas as equipes com o mesmo número de jogos. Este é o Brasileirão 2021. Apesar de algumas definições precoces, só agora podemos realmente comparar a maior parte das campanhas sem aquele eterno: "times x e y estão empatados, mas x tem dois jogos a menos".

Essa ladainha alimentou infinitos debates, afinal a especulação é a mãe da mesa redonda. Mas se vencer as partidas de diferença, o Grêmio pode sair do Z4. Mas se o Flamengo conquistar os seis pontos, encosta no Galo.

O mais divertido nessas discussões é que, quase sempre, elas desafiam a lógica. Afinal, um time que está na ponta e precisa vencer as partidas que lhe faltam para encostar no líder, também precisa que este líder tropece consistentemente, o que é estatisticamente improvável. Da mesma forma que, para quem está na rabeira da tabela, é fácil contar com o tropeço dos adversários - afinal, se não tropeçassem o tempo inteiro, não estariam na lama. O duro é conseguir fazer o seu, quando nada parece dar certo.

Lógica, aliás, que esteve diversas vezes ausente neste Brasileirão. O São Paulo, por exemplo: perde do Bahia, ganha do Fortaleza, toma uma goleada acachapante do Flamengo, ganha bem do Palmeiras no Allianz, perde de 3 a 0 do Grêmio, ganha bem do Juventude. Ainda ontem cabia a dúvida: cai ou vai para a Libertadores?

Mais uma bizarrice desta enxurrada de vagas nos torneios continentais: só há praticamente dois grupos, o dos rebaixados e os dos classificados para alguma coisa (Libertadores direto, pré Libertadores, Sul-americana). Não fica ninguém de fora.

Já no campo da lógica "tem ano que time grande não escapa da degola nem com reza braba", o Grêmio vai para a derradeira rodada respirando por aparelhos, podendo realizar um feito digno da alcunha Imortal. Se sobreviver, terá passado duas rodadas fora da zona de rebaixamento: a primeira e a última. Quase uma versão reversa do Flamengo campeão de 2020, que só liderou as duas últimas rodadas.

Há ainda a bela conquista do Fortaleza, pavimentando a volta da força nordestina ao cenário nacional com uma meteórica ascensão da série C à fase de grupos da Libertadores, em apenas quatro anos.

Não faltam feitos heroicos, trágicos (arbitragem?) e até cômicos neste Brasileirão que vai acabando. O último capítulo, a ser exibido na quinta-feira, pode trazer reviravoltas na trama, lágrimas de tristeza e de alívio por todo o país.

Sem dúvida, há muito que corrigir e tentar melhorar para os anos vindouros (arbitragem?), mas vejo esta edição - independentemente do que acontecer no gran finale - como mais uma prova daquilo que tanto nos faz amar o futebol: nem sempre o melhor vence e o jogo só acaba quando termina.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL