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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Alicia Klein: Palmeiras goleia e não deve querer saber de favoritismo

Abel Ferreira à beira do campo durante o jogo entre Grêmio e Palmeiras - Pedro H. Tesch/AGIF
Abel Ferreira à beira do campo durante o jogo entre Grêmio e Palmeiras Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF
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Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

11/11/2021 11h48

Depois da sexta vitória seguida no Campeonato Brasileiro ontem, com um passeio belo e tranquilo contra o Atlético-GO, o Palmeiras pareceu voltar a convencer os não convencidos. Lembrou-se que continua sendo um dos melhores times do país e que, sim, pode jogar de maneira ofensiva. O retranqueiro de poderoso ataque voltou.

A dupla Scarpa e Veiga encheu os olhos da torcida (e da imprensa), a inversão de lado na zaga retomou a segurança na defesa, o time deitou.

De repente, a crise na Gávea se misturou ao bom momento da Rua Palestra Itália, resultando numa pitada de favoritismo alviverde.

Sabe quem não vê graça nessa receita? Boa parte da torcida palmeirense. Apostaria também que o próprio Abel, autor do brilhante lema "Contra tudo e contra todos". Brilhante porque tradução perfeita de um sentimento antiquíssimo da torcida, tão bem compreendida por um estrangeiro recém-chegado.

Sobre a final: em jogo único, eu não boto dinheiro em campeão nem que me paguem. Mentira, se me pagarem, eu boto. Porque aí o dinheiro não é meu. Mas quando duas das equipes mais fortes do continente se enfrentam em 90 minutos, o clichê "tudo pode acontecer" se aplica perfeitamente.

O que acho curioso é como nos apegamos a momentos que, no futebol, quase sempre se mostram efêmeros. Não precisamos voltar muito mais que um ou dois meses para encontrar análises bem diferentes sobre vários clubes, entre eles os protagonistas do dia 27: Palmeiras em crise, Flamengo goleando. Sem falar no que já comentamos sobre São Paulo, Grêmio, Internacional, Santos, Corinthians.

A consistência dos comentários, por vezes, passa longe.

O fato é que, agora ao lado do Atlético-MG (esse, sim, numa consistência monstra no Brasileirão), Palmeiras e Flamengo seguem sendo os melhores do país. Em alta ou em baixa, mas ainda muito à frente da concorrência - basta ver a tabela do campeonato, que os dois deixaram de priorizar faz um tempo.

Quando há equilíbrio, o favoritismo parece um peso no lado oposto da balança. Aquele selo de qualidade que quase ninguém quer. Xô. Passa longe daqui.

Por isso, fico aqui imaginando algum alívio na Gávea ao ver ao menos um pouco da pressão se dissipando, já que tantas outras coisas andam tirando o oxigênio rubro-negro. Enquanto Abel Ferreira esbraveja algo inspiracional no vestiário alviverde, de olhos esbugalhados, para convencer a equipe de que o atual campeão da América segue sendo o azarão.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL