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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que o São Paulo erra ao dar bola para o Paulista

Orejuela marca em seu estreia pelo São Paulo, contra o Rentistas pela Libertadores - Ernesto Ryan/Getty Images
Orejuela marca em seu estreia pelo São Paulo, contra o Rentistas pela Libertadores Imagem: Ernesto Ryan/Getty Images
Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

13/05/2021 14h58

É tanta gente concordando com a estratégia do tricolor de seguir valorizando o Estadual, jogando a Libertadores com time reserva, que fico me perguntando se estou louca e deveria evitar o texto de hoje.

Claramente, a primeira opção continua sendo plausível, mas vou escrever o que acho mesmo assim.

O São Paulo tratar o estadual como "Copa do Mundo" apequena o clube. Aumenta a pressão. Cria um risco desnecessário para a competição que realmente importa. A Libertadores, no caso. Ou acreditamos que, com os milhões investidos em jogadores e uma comissão técnica cara, o Paulista bastará? Todos celebrarão o sucesso de uma temporada em que se saiu da fila, conquistando (apenas) o Estadual?

Claro, o grupo no torneio continental é fraco e a classificação não está ameaçada. Mas 8 pontos em 12 contra adversários de pouca expressão não é exatamente uma jornada de encher os olhos - e praticamente tira o time da briga pela melhor campanha, que garantiria decidir todos os embates em casa, até as semifinais.

Para além da questão estratégica, de não apenas se classificar na Libertadores, como tentar assegurar um caminho mais tranquilo, acho que há um problema com a mensagem: São Paulo poupa titulares para enfrentar a Ferroviária com força máxima.

Um ser extraterreno recém-chegado ao planeta bola poderia perfeitamente entender que estas agremiações se equivalem, que o equilíbrio de forças faz necessário empenho total de ambos os lados para conquistar a vitória.

Nenhum demérito à Ferroviária, por óbvio. Considerando, porém, que o clube do Morumbi é tricampeão e um dos atuais postulantes ao continente, esse foco não me cai bem. Com Palmeiras e Santos abertamente despreocupados e um Corinthians em má fase, o São Paulo aumenta uma pressão que já existiria naturalmente. Para quê?

Sair da fila é mais importante que tudo, mesmo com um título "menor"?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL