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Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Arbitragem não rouba, mas erra demais

O árbitro Raphael Claus durante partida entre Flamengo e Inter no Maracanã - Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
O árbitro Raphael Claus durante partida entre Flamengo e Inter no Maracanã Imagem: Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

21/02/2021 20h16

Não dá para cravar que o Internacional perderá o título roubado, mas novamente se está discutindo mais a arbitragem do que a bola. Dez minutos de Twitter e pipoca uma infinidade de imagens comparativas de lances semelhantes à entrada do Rodinei em que outros jogadores não foram expulsos. Mesma coisa no lance de pênalti não marcado para o Palmeiras, contra o São Paulo, na sexta.

Ninguém deve ter acreditado que o VAR resolveria os problemas da arbitragem brasileira, mas o Brasil está tornando impraticável uma ferramenta imperfeita (porque operada por humanos). Tiramos a moral do VAR.

Algumas das regras do futebol, assim como a lei, são interpretativas. Agora, isso não deveria significar lances quase idênticos apitados de formas diferentes. Às vezes, até, pela mesma pessoa. Claro, pode ser apenas um erro. Mas quantos erros são aceitáveis? Os lances de bola na mão dentro da área seriam cômicos, fossem trágicos.

O problema dessa inconsistência, além de causar algumas injustiças, por óbvio, é levantar suspeitas sobre a idoneidade da arbitragem, das entidades que gerem o futebol. É ver torcidas inteiras achando que seu time é perseguido, que pode ser surrupiado antes mesmo de entrar em campo. Olha que merda.

Não acredito que haja má intenção das equipes de arbitragem. São quase que na totalidade profissionais sérios, que estudam e treinam para executar uma atividade dificílima, sob enorme pressão. Quem não se lembra de ouvir 70 mil pessoas gritando, em uníssono: "Tem um palhaço querendo aparecer e vai morrer!" Horrendo.

Mas, mesmo agora, com arquibancadas vazias, os erros pululam. Juízes de campo e comentaristas especializados não concordam em nada. Quais são os critérios? Há critérios? Quais são as orientações da comissão de arbitragem? Por que não disponibilizar o áudio do VAR ao vivo? O que faz Leonardo Gaciba?

Torcedores sofrem, jogadores têm suas carreiras afetadas, clubes perdem milhões com decisões equivocadas. Transparência e treinamento é o mínimo que a CBF deve a eles.

Em tempo: Flamengo campeão e Vasco rebaixado, por exemplo, não seriam pontos fora da curva, com ou sem erros de arbitragem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL