PUBLICIDADE
Topo

Alicia Klein

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Palmeirenses derrotados, exaustos e orgulhosos

Weverton é consolado pelo carrasco Gignac após o Tigres derrotar o Palmeiras na semifinal do Mundial de Clubes - Karim JAAFAR / AFP
Weverton é consolado pelo carrasco Gignac após o Tigres derrotar o Palmeiras na semifinal do Mundial de Clubes Imagem: Karim JAAFAR / AFP
Alicia Klein

Alicia Klein tem quase 20 anos de mercado esportivo em posições de liderança no Brasil e no exterior. Escreveu a biografia de Michael Schumacher, trabalhou na NFL, no universo olímpico e no da Copa do Mundo. Decidiu que é hora de falar sobre misoginia, racismo, trabalho infantil e tudo que o esporte aceita em nome dos resultados dentro e fora de campo.

07/02/2021 21h36

Antes que soem as cornetas, vale deixar claro: o Palmeiras atuou mal contra o Tigres. Tentou viver de ligação direta, um meio campo sem criatividade, para não dizer ausente, um ataque inocente que caiu sem parar na linha de impedimento do adversário (a bandeira subiu sete vezes para o time alviverde) e só conseguiu chutar uma bola no alvo.

Acabou o gás? Tuca Ferretti (há dez anos no posto) surpreendeu com um jogo mais veloz do que todos esperavam? Quiñones e Gignac não são Marinho e Soteldo? O dinheiro está encolhendo o abismo entre o futebol sul e norte-americano? Acho que uma combinação de tudo isso. Mas uma coisa não me sai da cabeça: o calendário.

Um comparativo breve entre dois dos melhores jogadores em campo hoje. Na interminável temporada 2020/2021, Weverton fez 61 partidas. Gignac, 25. Se bem que o arqueiro parece inabalável: passou a noite em claro e, ainda assim, foi um monstro em Doha. Imagina se tivesse dormido!

O Palmeiras fechará a temporada com cerca de 80 jogos. Foram nove só em janeiro, incluindo as semis e a final da Libertadores, partidas mais importantes dos últimos vinte anos. Depois de conquistar a América no sábado, contra o Santos, no Rio, o time enfrentou o Botafogo na terça, em São Paulo, e seguiu direto para o aeroporto. Viajou 14 horas até Doha, com um fuso horário de seis horas, tendo de se preparar para encarar o Tigres, neste domingo. Três jogos em oito dias.

Há quem continue a comparar o desempenho das equipes de 2019 com as de 2020. Não dá. O vírus mudou tudo. Estamos todos operando em modo sobrevivência. Estamos todos cansados. Os que temos a sorte de estar vivos.

Mas se o futebol está aqui para trazer alegrias, a torcedora e o torcedor sabem que o Palmeiras tem um plantel decente e o melhor goleiro do Brasil. E uma Libertadores conquistada com 82% de aproveitamento (melhor campanha desde 1976). E a final da Copa do Brasil pela frente. O Palmeiras tem Abel Ferreira. Em algum momento, pasmem, o Palmeiras terá férias. Desde já, porém, o Palmeiras tem algo ainda maior: orgulho.

(Não posso deixar de mencionar o orgulho e a esperança despertados pela presença feminina no mundo da bola. Edina Alves Batista, Neuza Back e Mariana de Almeida formaram um trio de arbitragem 100% feminino na partida entre Ulsan e Al Duhail, pelo Mundial. No SporTV, Ana Thais Mattos, Renata Mendonça e Nadine Basttos seguem mostrando que, com apito ou microfone, lugar de mulher é no futebol, sim.)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL