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Boxe abraça MMA por renovação, mas coloca legado de Floyd e imagem em jogo

Jorge Corrêa

Do UOL, em Las Vegas

26/08/2017 04h00

Não há como comparar a tradição esportiva entre boxe e MMA. O pugilismo profissional tem mais de 100 anos, enquanto as artes marciais mistas como conhecemos atualmente ainda não tem nem 20 anos. Mas pela primeira vez as duas modalidades de lutas vão de encontrar debaixo de um grande holofote e com dois astros, de fato, de cada um dos dois lados.

Naquela que está sendo vendida como “a maior luta de esportes de combate de todos os tempos”, o n-vezes campeão mundial de boxe Floyd Mayweather Jr. faz a luta final de sua carreira invicta contra o maior nome do UFC na atualidade, Conor McGregor. O americano tenta se aposentar com sua 50ª vitória consecutiva, enquanto o irlandês faz sua estreia no boxe profissional.

Por mais que o boxe seja infinitamente mais tradicional que o MMA, ele está longe de viver seus momentos de maior destaque. Já não existem mais grandes nomes que arrebanhem milhões de vendas de pacotes de pay-per-view consecutivamente. Não existe mais nenhum peso pesado de destaque global, por exemplo. Atualmente, o UFC vende muito mais shows por ano.

Dessa forma, esse encontro inédito que o boxe está fazendo com o MMA é uma maneira de oxigenar a modalidade e trazer novos fãs. Muita gente que nunca foi próxima do pugilismo vai acompanhar essa luta por toda curiosidade que ela trouxe e, principalmente, por ter um personagem não carismático como o McGregor envolvido nela.

Mas também há o outro lado da moeda nessa empreitada de Floyd Mayweather. Nesse evento, ele tem muito mais a perder que a ganhar. Tanto pessoalmente quanto por todo o boxe.

“Floyd tem completa noção do que ele representa e do que representa essa luta. Tanto para ele quanto para o boxe. Até por isso, ele está levando esse combate muito a sério. Conor é um grande lutador em pé e Floyd sabe disso”, disse Leonard Ellerbe, presidente da Mayweather Promotions.

Se vencer, o norte-americano terá apenas mais uma luta em seu cartel, apenas encerrando sua carreira com o bonito número redondo de 50-0. Mas se ele perder, será uma mancha indelével em sua história. Como ele, que se autodenomina “o melhor de todos os tempos” pode perder para um estreante no boxe? O 49-1 será para sempre. No máximo ele terá um 50-1 em caso de revanche.

Para o pugilismo, pode ser um golpe muito duro no ego da modalidade. Todos os críticos dessa luta apontam Conor como um enorme azarão, alguém que não tem envergadura moral e técnica para desafiar um nome como Floyd. Os boxeadores profissionais foram unânimes em atacar o irlandês e colocá-lo como um aventureiro, um promotor de uma luta caça-níquel.

E se essa ralé vencer o melhor de todos os tempos?

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