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Jogadora brasileira de basquete conhece pai, ex-atleta da NBA, aos 25 anos

Maíra e seu pai, o ex-jogador da NBA Tito Horford, se encontram pela primeira vez - Arquivo pessoal
Maíra e seu pai, o ex-jogador da NBA Tito Horford, se encontram pela primeira vez Imagem: Arquivo pessoal

Roberto Salim

Do UOL, em São Paulo

11/06/2021 15h59

A jovem Maíra, aos 25 anos, esperava viver dois momentos especiais nestes dias de maio e junho. A ala de 1,85 m, dona de mira certeira nos tiros de três pontos e uma carreira já respeitável no basquete, queria estender a mão direita e se apresentar a dois homens: seu pai e o técnico da seleção brasileira.

"Muito prazer, eu sou a Maíra", disse ao dominicano de mais de 2 metros Tito Horford, seu pai, que ela ainda não conhecia pessoalmente. Horford jogou três temporadas na NBA no final dos anos 80, por Milwaukee Bucks e Washington Bullets, e engravidou a mãe de Maíra quando atuava em São Paulo. Mas o pivô deixou o Brasil logo depois e nunca conheceu a filha.

Em maio, Maíra e o pai se encontraram finalmente. Passaram 15 dias juntos na República Dominicana e ele assistiu a partidas dela pelo San Lazaro, que disputa a liga local. "Foi muito legal conhecê-lo pessoalmente", disse. "Ele sempre estava no ginásio me vendo jogar e me incentivando, gritando durante as partidas", contou Maíra na manhã de hoje (11), já de volta ao Brasil.

Maíra, enfim, conheceu o pai, mas não vai fazer o mesmo com o técnico da seleção brasileira de basquete, José Neto, que nunca a convocou para a equipe nacional. Por causa disso e pela ascendência paterna, a ala passou a defender a seleção da República Dominicana.

Maíra estava no grupo dominicano que joga a Copa América, iniciada hoje em Porto Rico, um estado livre associado aos Estados Unidos. Mas a atleta não conseguiu viajar ao território americano. "A documentação toda estava em ordem, o passaporte e tudo. Eu vinha treinando com a seleção e estava tranquila com a possibilidade de enfrentar o Brasil. Mas aí o visto americano acabou não saindo para a competição em Porto Rico. Não deu tempo e eu retornei a Jacareí", conta Maíra, que vive no interior de São Paulo.

A jogadora nasceu em Jacareí em 1996. É filha da atleta de vôlei Patrícia de Andrade e Horford, que passou pelo basquete brasileiro no início dos anos 1990. O ex-jogador é também o pai de Al Horford, astro da NBA que terminou a atual temporada no Oklahoma City Thunder.

Foi Tito quem providenciou toda a documentação para que Maíra estreasse no campeonato da República Dominicana em maio, com vitória do seu San Lazaro sobre o time de Guaxupita. Na sequência de jogos, Maíra conquistou o título nacional após várias boas exibições e foi convocada para a seleção de seu novo país.

"Nunca chamaram a minha filha para a seleção brasileira principal. Nunca teve chance, embora tenha tido destaque nos torneios nacionais. Nos últimos meses, ela estava jogando na Croácia e o técnico Neto disse que estava observando as jogadoras que estavam na Europa, mas nunca falou da Maíra. Será que a Croácia não é mais na Europa? Ela nunca foi convocada ou valorizada", diz a mãe, Patrícia.

Patrícia era jogadora do vôlei de Suzano nos Jogos Abertos de Campinas. Tito Horford também defendia a cidade e era pivô do forte time do basquete suzanense. Tiveram um romance, Patrícia engravidou, mas Tito recebeu um convite e logo foi embora para jogar no basquete italiano.

Maíra nasceu e ele nunca tinha visto a filha. Atualmente, Tito trabalha em uma ONG para refugiados em Michigan, nos Estados Unidos. Nos últimos anos, vinha mantendo contato telefônico com a filha. Em agosto, ela volta a defender o San Lazaro. Mas os planos de futuro são mais ousados.

"O meu pai disse que tenho um futuro promissor, que tenho muito potencial e o agente do meu irmão já está vendo a possibilidade de eu defender alguma equipe na WNBA", diz.

Pelo fato de não ter estreado ainda em jogos oficiais pela República Dominicana, será que Maíra poderá defender a camisa do Brasil futuramente? "Não, não dá mais. Toda a minha documentação na FIBA só permite que, de agora em diante, eu apenas defenda a República Dominicana em competições internacionais. E eu estou bem feliz com isso".

Ela disse que hoje já vai sintonizar na transmissão da Copa América e torcer pelo seu novo time na estreia contra a Argentina.

O Brasil, que não se classificou aos Jogos de Tóquio, estreia contra a El Salvador às 19h10 (de Brasília), com transmissão do SporTV.

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