PUBLICIDADE
Topo

Basquete

Perda de peso e falta de ar: Ala do SPFC revela medo após 2ª vez com covid

Isaac, ala do São Paulo, durante a partida contra o Pinheiros, pelo NBB - Divulgação
Isaac, ala do São Paulo, durante a partida contra o Pinheiros, pelo NBB Imagem: Divulgação

Leandro Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

31/03/2021 04h00

Isaac deixou a quadra do ginásio Wlamir Marques no dia 10 de fevereiro nas alturas. O ala do São Paulo havia sido o cestinha da vitória por 100 a 74 contra o Pinheiros em rodada do NBB (Novo Basquete Brasil) —25 pontos foram do camisa 7. Parecia o início de uma fase promissora para o jogador na temporada. Três dias depois, no entanto, a notícia: teste positivo para covid-19.

O diagnóstico veio em meio a uma onda de infecções pelo novo coronavírus no time de basquete do São Paulo. Seis atletas e um funcionário de apoio da equipe haviam contraído o vírus. No caso de Isaac, era a segunda vez em cinco meses. "Foi um baque", disse em entrevista ao UOL Esporte.

Os dias seguintes seriam de preocupação para o atleta. Em sua primeira contaminação, em setembro, Isaac ficou assintomático. A segunda, porém, o atingiu com mais força. O jogador perdeu 3 kg de massa magra e sofreu com pequenas complicações da doença.

"[A recuperação] foi um pouco demorada ", relembrou. "Tive medo quando comecei a sentir um pouco de falta de ar. Meu maior medo era ter uma piora e precisar ir ao hospital."

A preocupação de Isaac não era por acaso. Nos últimos meses, o Estado de São Paulo vem sofrendo com a lotação de hospitais em meio à crescente dos casos de covid-19. Na última segunda-feira (29), pelo menos 25 hospitais estaduais haviam atingido 100% de ocupação nos leitos de UTI. Ao todo, já são mais de 300 mil mortes no país por causa da doença desde o início da pandemia.

O cenário caótico acaba contribuindo para que não só o corpo seja atingido pelo vírus, mas, também, o emocional. "Muitas informações deixam a gente com medo", pontuou Isaac. "A nossa cabeça, quando a gente pega, fica ruim. Tem muita gente morrendo disso. É uma doença que se sabe muito, mas não se sabe tudo ainda. A gente fica com medo. Tem tanta gente forte, ativa, que se cuida, e quando vê está intubado, passando mal. Quando você pega uma doença dessa, com tantas mortes por dia, com certeza você vai sentir medo".

"Eu senti bastante dor de cabeça, tive um pouco de falta de ar. Quando voltei, passei por avaliação da nutricionista e avaliação física. A primeira semana foi muito difícil. Eles me seguraram um tempo muito maior, fizeram os exames, para eu não correr risco de ter lesão. Preferiram me tirar dos jogos, me deixar forte de novo pra eu poder voltar", acrescentou.

Foram quase dois meses de recuperação até o retorno. Isaac deve voltar às quadras amanhã (dia 1º), na partida contra o Cerrado Basquete, pelo NBB. Atualmente, o São Paulo é terceiro colocado na competição, com 20 vitórias em 27 partidas. O Tricolor está atrás somente de Flamengo e Minas.

"É um sentimento de gratidão por não ter acontecido nada pior [comigo]. Todos os atletas precisam estar em atividade, é uma gratidão por estar saudável e fazendo o que eu gosto de fazer", avaliou o jogador, que agora sonha com a chance de ser campeão pelo São Paulo.

"Nosso time é muito bom, um elenco muito forte. Não é à toa que estamos em terceiro. Estamos cada vez mais lutando para ganhar esse título [NBB]. É uma oportunidade, um time forte, um elenco bom, unido, todo mundo fechado em busca desse objetivo. Tá todo mundo focado nisso aí", destacou.

Isaac já perdeu amigo para a covid

Apesar de recuperado do segundo contágio de covid-19, a pandemia deixa uma lembrança triste para Isaac. Isso porque o jogador viu um amigo de Lençóis Paulista, cidade onde foi criado, morrer em função de complicações da doença.

"Na minha cidade, a primeira pessoa que morreu de covid, era como um pai pra mim", disse.

"Tive um amigo muito próximo, que era da igreja. A gente tava sempre junto pra tudo. Eu vivia muito na casa dele, o Rafael, e o Vanderlei, que veio a falecer, era como um pai (...) Foi doloroso, porque na hora de ver o enterro dele, eu pedi pro Rafael me ligar por vídeo, e eles tiveram que ver o enterro a 50 metros de distância. Não puderam nem se despedir. Foi algo que doeu bastante. Foi ali que eu vi que o negócio [covid] estava aí", contou o atleta.

Diante disso tudo, Isaac faz um apelo e pede conscientização em meio à crise de saúde.

"Neste momento, as pessoas precisam se cuidar. Eu senti na pele os sintomas desse vírus. Por duas vezes eu peguei, então, posso dizer realmente que está aí. É um cuidado muito grande que temos que tomar. Temos que ter mais consciência do que estamos fazendo", finalizou.

Basquete