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Times boicotam jogos em protesto por ataques a negro, e NBA adia rodada

Do UOL, em São Paulo

26/08/2020 17h18Atualizada em 27/08/2020 16h06

Jogadores de Milwaukee Bucks, Orlando Magic, Oklahoma City Thunder, Houston Rockets, Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers decidiram boicotar os jogos desta quarta-feira (26) pelos Playoffs da NBA. O boicote é um protesto dos atletas contra a violência policial originada pelo racismo contra negros nos Estados Unidos após o ataque sofrido por Jacob Blake no último domingo em Kenosha, Wisconsin —estado que abriga os Bucks.

Com a iniciativa dos atletas, inédita na história da liga, a NBA decidiu adiar as três partidas do dia. Segundo o jornalista Adrian Wojnarowski, da ESPN norte-americana, os jogos de quinta-feira também devem ser adiados e um jogador veteranos que preferiu não se identificar afirmou que a temporada pode ser encerrada.

O primeiro jogo a ser cancelado foi Bucks x Magic, marcado para as 17h (horário de Brasília). Os jogadores da equipe de Milwaukee não apareceram na quadra para o aquecimento e a partida acabou cancelada após o prazo dado pela arbitragem com o apoio dos jogadores dos Magic, que se retiraram para os vestiários a menos de quatro minutos do horário estipulado para o início da partida. A série está 3 a 1 para os Bucks, um dos favoritos para chegar à final da NBA.

Pouco depois, o jornalista Shams Charania, do site The Athletic, informou que os jogadores de Thunder e Rockets decidiram não entrar em quadra para o jogo das 19h30. O duelo está empatado por 2 a 2. Já Lakers e Blazers entrariam em quadra às 22h e o time da Califórnia poderia fechar a série já que vence por 3 a 1.

Charania também informou que os jogadores que estão na bolha criada pela NBA em Orlando farão uma reunião ainda nesta quarta para decidir os próximos passos. A cúpula da liga, então, chamou os atletas para uma reunião para debater o assunto.

LeBron James, astro dos Lakers e uma das vozes mais ativas nos protesto contra o racismo e a violência policial demonstrou apoio aos jogadores dos Bucks antes da decisão da NBA. "Exigimos mudanças. Estamos fartos disso", escreveu.

O armador George Hill, um dos principais jogadores dos Bucks, falou sobre o boicote em entrevista ao jornalista Marc Spears, também da ESPN e demonstrou o sentimento de exaustão pelas mortes decorrentes do racismo sistêmico no país. "Estamos cansados das mortes e injustiças", afirmou o atleta segundo uma postagem de Spear no Twitter.

Um possível boicote aos jogos desta quarta em diante passou a ganhar força na terça-feira. Atletas do Toronto Raptors e Boston Celtics fizeram reuniões para analisar a possibilidade da não-realização do jogo 1 da semifinal da Conferência Leste.

A realização da reta final da temporada regular da NBA e das séries dos Playoffs em uma bolha criada pela liga em Orlando, na Flórida, foi bastante criticada por muitos jogadores. Kyrie Irving, jogador do Brooklyn Nets, e o ala-armador Avery Bradley, dos Lakers, foram as principais vozes contra o retorno do basquete nos Estados Unidos. Eles entendiam que a disputa poderia tirar a atenção dos protestos por igualdade racial que tomaram as ruas do país após a morte de George Floyd ocorrida em maio, em Minneapolis.

No último domingo, Jacob Blake foi atingido por sete tiros disparados por policiais na cidade de Kenosha, no estado de Wisconsin, estado onde fica os Bucks. O ataque causou uma nova onda de protestos e criticas à atuação dos oficiais, já que Blake estava desarmado, de costas e perto dos filhos quando foi alvejado. O homem segue internado, mas corre o risco de perder parte dos movimentos.

A violência policial contra negros levou à criação do movimento "Black Lives Matter" que tomou as ruas após a morte de Floyd em maio e ganhou forte apoio dos atletas da NBA. Diversas iniciativas foram tomadas pelas equipes, atletas e liga, mas o caso mais recente que vitimou Blake causou o boicote inédito dos atletas.

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