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Capitã de seleção do Líbano compara explosão a míssil e relata destruição

Rebecca Akl é filha de brasileira e defende a seleção do Líbano - Reprodução/Instagram
Rebecca Akl é filha de brasileira e defende a seleção do Líbano Imagem: Reprodução/Instagram

Beatriz Cesarini

Do UOL, em São Paulo

07/08/2020 04h00

"Os libaneses estão furiosos, loucos, tristes, com o coração partido, procurando respostas e consertando suas casas". É assim que Rebecca Akl, capitã da seleção feminina de basquete do Líbano, descreveu, ao UOL Esporte, a situação em que vive o seu país após a explosão no porto de Beirute. A atleta é filha da brasileira Samira Akl e sentiu a tragédia de perto.

"Eu moro a sete quilômetros do Aeroporto de Beirute. Estou segura e está tudo bem com a minha casa. Eu senti a explosão... Ouvi e senti o tremor muito forte. Pensei que era um ataque de míssil, estava sozinha de casa e fugi rapidamente das janelas", relatou Rebecca.

"Quando descobri o que realmente tinha acontecido, acompanhei as notícias durante noite inteira e foi muito triste, principalmente pelas almas que se foram... A situação é muito ruim. Pessoas morreram, outras estão feridas e/ou perderam suas casas e carros. Atualmente, 85% das coisas estão fechadas e paradas, porque as pessoas não têm energia para trabalhar ou fazer qualquer outra coisa", destacou a jogadora.

Rebecca, que gosta de se apresentar como "metade brasileira e metade libanesa", joga basquete profissional há 16 anos e, recentemente foi anunciada como reforço do time grego AC PAOK. No país europeu, a atleta poderá retomar seus treinamentos, já que o local em que se exercitava está destruído por conta da explosão.

"A academia onde eu treino está completamente danificada. Então, eu não tenho como praticar desde então", contou Rebecca, que não vê esperanças neste ano para a seleção do Líbano, na qual ela é capitã há três anos.

Rebecca Akl com o pai libanês e a mãe brasileira, Samira - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Rebecca Akl com o pai libanês e a mãe brasileira, Samira
Imagem: Reprodução/Instagram

Este será o meu segundo ano na Grécia, vou para lá em setembro... Quanto ao basquerte aqui na seleção libanesa não temos certeza se haverá um campeonato considerando a explosão, a crise econômica e a Covid19. As equipes femininas ainda não trabalharam na construção de suas equipes. E nada é promissor", disse a jogadora.

A paixão de Rebecca pelo basquete começou com seus irmãos mais velhos. Com oito anos de idade ela já entrou para a equipe de sua escola e foi destaque. Hoje, aos 27, ela é embaixadora da ONG "We Are The Hope", que motiva jovens libaneses em situação de vulnerabilidade a praticarem esportes. É com essa força que ela pretende superar tudo o que aconteceu.

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