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"Foi o Jordan de quem não viu Jordan", diz Oscar, sobre "fã" Kobe Bryant

Oscar Schmidt posa ao lado de Kobe Bryant; ex-jogadores eram amigos e falavam "coisas de meninos" - Arquivo pessoal
Oscar Schmidt posa ao lado de Kobe Bryant; ex-jogadores eram amigos e falavam "coisas de meninos" Imagem: Arquivo pessoal

Talyta Vespa

Do UOL, em São Paulo

02/02/2020 04h00

Astro do basquete nacional, Oscar Schmidt só aceitou falar com o UOL Esporte um dia após a morte de Kobe Bryant - o ex-jogador foi vítima de um acidente aéreo no domingo passado (26). O brasileiro afirmou estar bastante emocionado, "sem acreditar no que aconteceu", e desabafou: "Que violência, p*** que pariu". Durante a entrevista, detalhou a relação de carinho recíproco que mantinha o americano, a quem considera "o [Michael] Jordan de quem não viu Jordan".

Kobe era fã de Oscar desde a infância, quando via o ídolo jogar contra seu pai, Joe Bryant, com frequência. Joe, hoje treinador do clube italiano Solsonica Rieti, insistia para que o filho se apaixonasse por Michael Jordan. No começo, foi difícil. Quando criança, o menino gostava mesmo era do brasileiro.

"Eu jogava com frequência contra o Joe e só ganhava dele. Então, como o Kobe, pequenininho, assistia a todas as partidas, ele começou a gostar de mim, já que eu pontuava muito", ri Oscar.

"O pai dele ficava puto. Eu também ficaria. Ele me chamava de 'la bamba', que é como é chamado o arremesso de três - eu enchia o saco do pai dele com o arremesso de três", acrescentou. Leia a entrevista completa que o ex-jogador brasileiro deu ao UOL Esporte.

Segundo Oscar, o carinho era recíproco. Para o brasileiro, Kobe foi para as gerações mais novas o que Michael Jordan representou para os fãs de basquete entre as décadas de 1980 e 1990.

"Quando ele me via, abria um sorriso. O olhar dele mudava. Você não consegue enganar o olho. Kobe tinha um carinho muito grande por mim, e eu por ele. Ouvi de um jornalista, e concordo: ele foi o Jordan de quem não pôde ver o Jordan", conta.

Oscar conheceu Kobe aos seis anos, na quadra, antes dos jogos do All-Star Game da liga italiana de basquete. Ele acompanhava o pai em todas as competições.

"Antes de o jogo começar, ele entrava na quadra e ficava arremessando bola. E eu olhava para ele e pensava: 'Esse moleque tem alguma coisa de diferente'. Só que, quando ele precisava sair porque o jogo estava prestes a começar, Kobe fazia um escândalo. Era sempre um tormento: não queria, de jeito nenhum. Chorava, esperneava, e o pai dele tentando lidar com aquilo, tirá-lo da quadra. Eu dizia: 'Esse não sai daí nunca mais'. Dito e feito", conta.

O brasileiro se recorda com carinho da última vez que encontrou o amigo.

"Foi no Mundial da China. Tivemos conversas de meninos, sabe como são conversas de meninos, né? Meninos, quando se juntam, falam um monte de coisa boa, mas um monte de coisa ruim, também", brincou Oscar.

"Nossas conversas davam certo, tudo dava certo entre a gente. Grandes jogadores se admiram mutuamente. Era o que acontecia com a gente", completou.

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