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O que aconteceu com a NBA enquanto Michael Jordan jogava beisebol

Michael Jordan, na época em que jogava beisebol pelo Birmingham Barons - Focus on Sport/Getty Images
Michael Jordan, na época em que jogava beisebol pelo Birmingham Barons Imagem: Focus on Sport/Getty Images

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

07/10/2019 04h00

Passados mais de 20 anos do fim da Era vitoriosa de Michael Jordan, a NBA ainda possui a imagem atrelada ao maior nome da história do basquete. Mesmo hoje, com a tecnologia avançada e as informações instantâneas das redes sociais, o eterno camisa 23 do Chicago Bulls é reverenciado. Mas, no meio da trajetória dos seis títulos, encerrada em 1998, a liga precisou lidar com a ausência do ex-ala-armador no auge.

Depois do tricampeonato em 1993, Michael Jordan decidiu abandonar a carreira para jogar beisebol. É desta história que trata um dos capítulos do livro "Era de Gigantes: A história do basquete profissional norte americano no século XX", de autoria do escritor e economista Vitor Luis Camargo. A aposentadoria precoce trouxe efeitos econômicos e abalou a autoestima da liga.

"A NBA sofre o golpe. A liga segue no início a história do 'trono vago'. A própria Sports Illustrated vai trazer este ângulo para tentar impulsionar a temporada, mas rapidamente enxergam que a NBA não é a mesma coisa sem o Jordan. Os fãs mais assíduos até gostam da maior competitividade, mas o casual não. Era diferencial ter o Jordan", relata o autor, em conversa com o UOL Esporte.

"Isso culmina em uma situação bizarra: uma final de sete jogos [Houston Rockets x New York Knicks, em 1994], mas com um nível pobre e que perdeu espaço. A emissora que transmitia [NBC] colocou o jogo em um quadrado, no canto da tela, para transmitir a perseguição ao carro do O.J. Simpson [ex-atleta da NFL], que tentava fugir durante o caso de homicídio do qual foi inocentado. A NBA é relegada a um cantinho", reforça.

Fora a evidente perda de patamar de mídia, exemplificada pela ação da NBC ao priorizar a "página policial" durante as finais da NBA, a liga conviveu com uma situação nova desde o início da Era de Ouro com Magic Johnson e Larry Bird. O "trono" estava vazio sem Jordan e os Bulls; quem trabalhava para superar a franquia de Chicago, não tinha mais a referência.

Jordan Spike Lee - Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images - Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images
Michael Jordan se encontra com o diretor Spike Lee; camisa 23 se tornou o maior nome do crescimento da liga
Imagem: Andrew D. Bernstein/NBAE via Getty Images

Há algumas teorias para Jordan ter largado o basquete pela primeira vez aos 30 anos de idade. A talvez mais popular se direciona ao lado pessoal. Jordan, abalado pela morte do pai, procurou prestar uma homenagem e ter paz em outro esporte, já que se tornou a cara e o grande nome da NBA.

Pelo lado esportivo, outras fontes consultadas pelo autor dizem que faltava um desafio para o jogador de basquete Michael Jordan. "Ele não tinha um rival a altura. A NBA precisou se virar para lidar com a audiência e interesse que despencaram", conta.

"O mundo da NBA estava voltado para os Bulls e para o Jordan. Os times se montavam para vencer os Bulls. E, de repente, perdem o melhor jogador, o time e deixam de ser uma sombra na NBA. Quando vários veteranos como Patrick Ewing, Scottie Pippen, Hakeem Olajuwon e novas estrelas como Shaquille O'Neal e David Robinson querem ocupar este trono, muda totalmente a estrutura da liga tanto dentro quanto fora da quadra", relembra.

"A NBA tenta como compensar. Inclusive, uma das mudanças foi encurtar a linha de três pontos, procurando um estilo mais aberto nos jogos. A liga até teve uma recuperação pequena de audiência em 1995, mas o que traz a NBA de volta ao patamar de antes é a volta do Jordan. Quando ele faz o comunicado de 'estou de volta', o mundo do basquete olha de novo para a NBA", acrescenta.

"Jordan se tornou maior do que a NBA"

Michael Jordan - NBAE / Getty Images - NBAE / Getty Images
Imagem: NBAE / Getty Images

Afinal, por que a NBA ficou tão órfã? A liga já havia passado pelo trauma de perder grandes estrelas, como Magic Johnson e Larry Bird, anos antes de MJ. A entrada de patrocinadores, a popularização com comerciais e a presença cada vez mais maciça do camisa 23 na mídia elevaram o patamar de Michael Jordan como a maior estrela da história.

"Isso começa com a entrada na NBA, na temporada de 1984. Ele pega o impulso com o início da Era de Ouro, quando a TV a cabo, o novo contrato de televisão e o nascimento das super estrelas como Magic e Bird ditam a narrativa. Jordan cresce e, quando ganha o título em 1991, pega o bastão de Magic Johnson, que se aposenta por causa do HIV", conta Vitor Luis Camargo, que enumera motivos para Jordan chegar a este patamar.

"Jordan assume o bastão não só pelo título, mas por ser indiscutivelmente o melhor jogador dentro da quadra. Ele ascende a um patamar que se torna maior do que o esporte. Jordan vira uma pessoa tão importante em termo de mídia e popularidade que começa a impulsionar a NBA. As pessoas passaram a ver a liga por causa dele. Consequentemente, ele gera audiência e mais dinheiro para toda NBA. Era o cara certo no lugar certo", acrescenta.

O livro de Vitor Luis Camargo, que relata a história da NBA até o sexto título de Michael Jordan e do Chicago Bulls, está à venda desde hoje (07) no site Two-Minute Warning e na Amazon. A versão ebook custa R$ 24,90, enquanto a física R$ 64,90, com frete para todo o Brasil.