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Segundo mais baixo da Copa ainda espera por "teste real" na seleção

Yago atuou apenas seis minutos no Mundial. Todos na estreia diante da Nova Zelândia - Edgar Su/Reuters
Yago atuou apenas seis minutos no Mundial. Todos na estreia diante da Nova Zelândia
Imagem: Edgar Su/Reuters

Giancarlo Giampietro e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

04/09/2019 18h56

Yago Matheus se tornou "queridinho" do técnico Aleksandar Petrovic durante a campanha do Brasil nas eliminatórias para a Copa do Mundo. Listado oficialmente pela organização com 1,78m, o segundo jogador mais baixo do Mundial ainda aguarda uma chance concreta de mostrar qualidade no mais alto nível do basquete de seleções e responder a dúvidas de quem o observa para possivelmente levá-lo a maiores centros do esporte.

Aos 20 anos, Yago veste a camisa da seleção e impressiona o treinador croata desde os 18. No entanto, no teste internacional mais importante para tirar as dúvidas sobre o quanto seu jogo e seu tamanho podem se traduzir em alto nível, o armador acabou relegado a um segundo plano. Foram seis minutos na estreia contra a Nova Zelândia e nenhum na histórica vitória sobre os gregos. Rafael Luz tomou conta da posição, enquanto o veterano Marcelinho Huertas vem sendo aproveitado como segunda opção.

Para a terceira partida na competição, amanhã (05), a partir das 5h (de Brasília), contra Montenegro, os fãs do armador esperam que ele possa receber mais chances em virtude da situação favorável do Brasil. Os dois triunfos não só asseguraram a vaga na próxima fase como a primeira colocação. Se há uma chance para testar o "baixinho" é agora. Depois será a vez de enfrentar Estados Unidos e, muito provavelmente, Turquia. Confrontos bastante exigentes, sem muita perspectiva para testes na rotação.

Esta experiência transcende, porém, a seleção brasileira. O Mundial é enxergado por olheiros da NBA como uma competição necessária para tirar as diversas dúvidas sobre como Yago poderia atuar na liga mais famosa do mundo — ou mesmo no mercado europeu.

Este questionamento passa muito pela altura e o físico do atleta, que geram preocupação defensiva nos scouts ouvidos pela reportagem do UOL Esporte. Há dúvidas sobre como o físico do armador responderia em contato com defesas mais fortes e pressionadas. Por fim, tecnicamente, o arremesso do jogador do Paulistano ainda é questionado. Como qualidade, a velocidade e a liderança do jovem jogador são vistos como trunfos.

Essas dúvidas que pairam sobre Yago refletiram no Draft da liga americana. O "baixinho" brasileiro passou batido no recrutamento de novatos, enquanto Didi Louzada (1,95 m) foi selecionado pelo New Orleans Pelicans. Diante de Montenegro, time com média de altura de 2,00m, pode vir a chance de ganhar minutos na Copa do Mundo e mostrar serviço para muita gente, especialmente Petrovic.

Defensores vão de ex-técnico a lenda brasileira

A evolução do lado físico pauta o dia a dia de Yago desde a promoção para o profissional. Em conversa com o UOL Esporte no mês de março de 2018, Gustavo de Conti, técnico do Paulistano na época e atualmente no Flamengo, deu dicas de como o armador de menos de 1,80m poderia evoluir para encarar o nível internacional mais alto do esporte.

Wang Zhao/AFP
Imagem: Wang Zhao/AFP

"Uma coisa que precisa melhorar é a questão física, de força. Precisa ser um jogador maior, 'abrir as costas' e pegar ombro, perna. Hoje em dia, os adversários atacam-no muito nesta questão, sabem que é uma deficiência", comentou no ano passado Gustavinho.

Esta questão física também entra na ponderação feita por Wlamir Marques, bicampeão mundial e um dos grandes nomes da história do basquete brasileiro, também em conversa com a reportagem no ano passado.

"Seleção brasileira é outra coisa, outra competição; é um nível internacional que ele ainda não foi testado. Jogar contra Chile e Colômbia nas eliminatórias não representa nada. Ele sempre vai ser destaque no NBB, jogadores baixos estão se destacando cada vez mais. Agora precisa sempre evoluir", disse.

Estas ponderações, contudo, ficam em segundo plano na análise de quem conviveu com a rápida ascensão do armador brasileiro.

"É um cara muito talentoso. (...) São duas coisas, porém, que o diferenciam ainda mais dos outros: a velocidade e a personalidade. Ele tem o mesmo arranque de quando o Leandrinho jogava no Bauru, impressiona", relembrou Gustavinho, que lá atrás via Yago pronto para este tipo de jogo, como o de amanhã diante de Montenegro.

"Sobre a personalidade, ele não liga onde está jogando e contra quem. Nos momentos difíceis, cresce. Ofensivamente, nunca sente o jogo; ele chuta da mesma forma, não importa o placar ou o adversário. A confiança dele é enorme", encerrou.

Os mais baixos do Mundial segundo o site do torneio

  • Mark Barroca (Filipinas) - 1,76 m
  • Yago (Brasil) - 1,78 m
  • Andrew Albicy (França) - 1,78 m
  • Ryusei Shinyoama (Japão) - 1,78 m
  • Gerson Domingos (Angola) - 1,79 m
  • Facundo Campazzo (Argentina) - 1,79 m
  • Abraham Sie (Costa do Marfim) - 1,79 m