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Campeão mundial em 94, basquete feminino brasileiro vira figurante e padece

Clarissa vai para seu primeiro Mundial com a Seleção - Murat Ozturk/CBB/Bradesco
Clarissa vai para seu primeiro Mundial com a Seleção Imagem: Murat Ozturk/CBB/Bradesco

Bruno Doro e Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

26/09/2014 13h55

12 de junho de 1994. O Brasil vence a China por 96 a 87 e conquista o inédito título mundial de basquete feminino. 27 de setembro de 2014. A seleção estreará no Mundial da Turquia, contra a República Tcheca, às 15h15 deste sábado, como mera figurante. Ser campeão? Utopia. Após 20 anos da conquista da geração de Paula, Hortência e Janeth em Sydney (AUS), o basquete feminino brasileiro vive uma árdua fase de reestruturação. O resultado disso é uma seleção que inspira pouca confiança.

Veja alguns motivos que levaram o Brasil a descer de patamar no basquete mundial nos últimos anos

Campeonatos enfraquecidos

  • Liga nacional enxuta

    Fundada em 2010, a Liga de Basquete Feminino (LBF) teve apenas oito participantes na última edição, e um time (Brasília) que perdeu as 14 partidas que disputou. Americana, que investe cerca de R$ 250 mil mensais, acabou com a taça ao superar o Sport Recife. Como comparação, o campeonato nacional masculino (NBB) teve 17 participantes e a final transmitida em TV aberta.

  • Paulista definhado

    Tido como o mais "rico" e tradicional do Brasil não possui atrativos. Na atual edição, Americana, Santo André, Rio Claro e Presidente Venceslau são os únicos clubes na disputa. Agremiações tradicionais como Catanduva e Ourinhos estão inativos por não terem dinheiro suficiente. Um panorama diferente do da década de 1990, com a rivalidade entre o Sorocaba, de Hortência, e o Piracicaba, de Paula.

Resultados pouco expressivos

  • Fiascos olímpicos

    Na Olimpíada de Pequim, em 2008, o Brasil ficou na 11ª e penúltima colocação. Quatro anos mais tarde, em Londres, a seleção venceu apenas a fraca Grã-Bretanha e acabou na nona posição, entre 12 participantes.

  • Fracasso no Mundial

    Na última edição da competição, disputada na República Tcheca, o Brasil acabou na nona colocação. Com quatro vitórias e quatro derrotas, teve a pior campanha em Mundiais desde 1990, quando ficou com a décima colocação no torneio jogado na Malásia.

Renovação repentina

  • Brasil tem nove estreantes em Mundiais

    Diante da falta de resultados e visando aos Jogos Olímpicos de 2016, o técnico Luiz Augusto Zanon deu início a uma reformulação na seleção. Porém, teve pouco tempo para isso, tanto que vai ao Mundial com nove atletas sem nenhuma experiência neste tipo de competição.

Trocas constantes no comando

  • Dança nas cadeiras dos técnicos

    Desde 2009, a Seleção teve cinco treinadores diferentes, com diferentes estilos e filosofia. Passaram pelo cargo desde então: Paulo Bassul, o espanhol Carlos Colinas, Ênio Vecchi, Luiz Cláudio Tarallo e Luiz Augusto Zanon.

  • Direção da CBB

    Contratada em 2009 para ser dirigente da seleção feminina, Hortência ficou no cargo apenas em 2013. Sua gestão foi muito criticada pela falta de resultados e as trocas de técnicos. Em 2013, Vanderlei Mazzuchini assumiu o cargo, conciliando-o com a direção da seleção masculina.