Campeões sem milhões

A realidade de quem não está no UFC

Por Brunno Carvalho

Ser campeão do UFC é o ápice na carreira de um lutador de MMA. Você fica falado ao redor do mundo, ganha boas bolsas e participações em pay-per-view. É como chegar ao Olimpo da luta.
Isaac Brekken/Getty Images
Mas fora de lá, a realidade não é a mesma. Existe vida longe do UFC, é verdade. Mas o glamour e as fortunas são muito mais raros de se conseguir sem ser um funcionário de Dana White. Às vezes, o dinheiro recebido não paga nem a passagem aérea.
Essa é a realidade para cinco brasileiros campeões de MMA pelo mundo. Alguns deles até ainda sonham em chegar ao UFC, mas outros já estão satisfeitos com o rumo que suas carreiras tomaram.
Arte UOL
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Eu luto há muito tempo, então já tenho uma estabilidade. O dinheiro que vem da luta, agora, é um 'extra'. Meu foco sempre foi chegar no estágio de lutar porque eu gosto, não porque precisava ganhar algum dinheiro para matar a fome

Rafael Morcego,
campeão do Pancrease
Reprodução/Instagram
Rafael Morcego é um que não tem mais o UFC como seu objetivo. Colecionando passagens pelo Bellator, o brasileiro pensa no futuro com sua academia e tem orgulho da carreira que está terminando.
Arquivo pessoal

Eu sou muito realizado com a minha carreira. Porra, eu participei de vários eventos, lutei contra caras que tinham passado pelo UFC. Claro que todo mundo um dia pensa em entrar no Ultimate, mas minha carreira não deixa a desejar, não. Sou bem feliz com ela

Rafael Morcego
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O Pancrease não paga a passagem aérea, então a gente tem que ir por conta. Às vezes, arranja um patrocínio e vai. Ainda assim, você ainda consegue ganhar lá mais do que é pago no Brasil. Então, compensa. Mas viver da luta é impossível

Sidy Rocha,
campeã do Pancrease
Reprodução/Instagram
Sidy não curtia MMA quando acompanhava o marido nas lutas dele. Ex-atleta de vôlei, ela teve apenas dois meses para se preparar para seu primeiro combate. Nocauteou a rival em 1min40 e descobriu sua nova paixão.
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O MMA é para corajosos. Se você não tem coragem de pisar em um octógono pela primeira vez, nem adianta tentar de novo porque não vai rolar. Mas, se na primeira vez você já entra com coragem e se sente bem, então você leva jeito para a coisa

Sidy Rocha
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A partir da minha próxima luta, vou conseguir viver da luta. A gente fechou um contrato muito bom para mim. Se eu conseguir fazer três vitórias, vou viver só da luta: não vou precisar dar aula, nem viver naquela correria. Só treinar e lutar

Cleiton Silva,
campeão do Brave
Reprodução/Instagram
Mesmo sem o glamour do UFC, os títulos em organizações menores dão certo reconhecimento. Cleiton Silva, por exemplo, possui seguidores de vários lugares do mundo. "No meu Instagram deve ter umas 300 pessoas da Índia e do Bahrein".
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Eu comecei a viver do esporte quando fui lutar na Rússia. As bolsas que recebo lá me dão essa tranquilidade. Antes disso, dependia da minha família me ajudar. Era impossível me manter no Rio de Janeiro lutando nos eventos brasileiros

Felipe Froes,
campeão do ACA
Valery Sharifulin/TASS via Getty Images
Campeão do ACA, Felipe Froes tem o Ultimate como meta. O título do torneio russo é considerado "um passo até o UFC".
Valery Sharifulin/TASS via Getty Images
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Quando você está em um evento menor, não faz muito dinheiro. É um processo longo, cheio de altos e baixos. Eu já trabalhei com várias coisas aqui nos EUA, mas quando vou lutar, consigo uns patrocínios pequenos, que já ajudam

Nikolas Motta,
campeão do Cage Fury
Reprodução/Instagram
Nikolas Motta também é um dos que ainda sonham em chegar ao UFC. A mudança para Nova Jersey (EUA) é estratégica: se houver uma desistência de última hora em um evento do UFC, é mais fácil recorrer a quem está ali perto.
Reprodução/Instagram

É um processo que leva muito tempo, e muita gente acaba desistindo porque não vai ser da noite para o dia. Não quero parecer ingrato, mas sei que posso chegar mais longe e estou trabalhando duro para isso

Nikolas Motta
Confira o especial completo sobre os campeões de MMA, publicado em 11 de abril de 2020, no link abaixo.
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Publicado em 17 de julho de 2020.
Edição e roteiro: Brunno Carvalho