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Aposta para ajudar Bolsonaro, Michelle discursa em tom messiânico

Igor Mello e Matheus de Moura

Do UOL, no Rio, e colaboração para o UOL, no Rio

24/07/2022 14h00Atualizada em 25/07/2022 13h58

Popular entre os evangélicos, a primeira-dama Michelle Bolsonaro fez um discurso em tom messiânico repleto de menções à Bíblia durante a convenção do PL, que oficializou a candidatura de seu marido, o presidente Jair Bolsonaro (PL), à reeleição. Para ela, busca por um novo mandato é "por um propósito de cura para o nosso Brasil".

Chorando desde que entrou no palco ao lado do marido, do candidato a vice, o general Walter Braga Netto, e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a primeira-dama foi a única a discursar além de Bolsonaro.

"Vou quebrar o protocolo", anunciou Bolsonaro ao passar a palavra para a mulher. Apesar disso, o gesto foi premeditado: durante a semana, o PL já afirmava que a primeira-dama também discursaria no evento.

Aposta do núcleo duro da campanha de Bolsonaro como uma arma para reverter a desvantagem para Lula entre as mulheres, Michelle focou parte do pronunciamento a tentar desconstruir a imagem de que o presidente não gosta de mulheres —criada por conta de diversas manifestações machistas feitas por ele ao longo do governo e, anteriormente, em sua carreira como deputado federal.

"Falam que ele não gosta de mulheres, mas ele sancionou a lei que dá o direito de mães de crianças com microcefalia receberem o BPC [Benefício de Prestação Continuada]", disse.

Atentado

A primeira-dama apelou para a memória de quando seu marido fora internado por uma facada durante o período eleitoral do último quadriênio, a fim de sensibilizar a plateia junto a uma narrativa de "projeto de libertação para nossa nação".

Recordando da internação de Bolsonaro após o atentado em Juiz de Fora, em setembro de 2018, ela falou: "Há quatro anos passamos por essa experiência e não tínhamos ideia do que íamos enfrentar. Do que estava por vir. Como falei ontem em vitória, quando eu cheguei na Santa Casa e vi meu marido deitado naquela maca, desconfigurado. Olhei para o teto e falei: o senhor tem o controle de todas as coisas. Não cai um fio do nosso cabelo ou uma folha sem sua permissão ".

Michelle descreveu o Brasil como uma "terra santa escolhida por Deus", ao mesmo tempo que seu marido seria "um escolhido de Deus".

'Propósito de cura'

Em uma menção indireta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera a corrida presidencial, Michelle usou uma passagem bíblica para defender o voto no marido.

"A reeleição não é por um projeto de poder como muitos pensam. É por um propósito de cura para o nosso Brasil. Nós declaramos que o Brasil é do senhor. Feliz é a nação em que Deus é o senhor. E Deus ainda fala mais. Fala que quando o justo governa uma nação o povo se alegra. Mas quando o injusto governa o povo geme", advertiu.

Ao fim do discurso de Bolsonaro, Michelle ficou lado a lado com ele saudando o público. Em mais um gesto aos evangélicos, ela empunhou e exibiu uma bandeira de Israel —fazendo alusão à terra prometida da Bíblia.

Errata: este conteúdo foi atualizado
O discurso da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, foi premeditado. A informação foi corrigida