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Ministro da Defesa nega preocupação com reedição de Capitólio no Brasil

Do UOL, em São Paulo

06/07/2022 19h25Atualizada em 07/07/2022 14h45

O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, disse não ter preocupações com um possível avanço das Forças Armadas ou de extremistas durante as eleições este ano. A fala ocorreu hoje em audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) questionou o ministro sobre o que está sendo feito para assegurar a segurança no pleito de outubro e citou o episódio do Capitólio, nos Estados Unidos. "A preocupação que a senhora expôs com a inteligência internamente [das Forças Armadas], no que diz respeito ao processo eleitoral, eu nego e digo que não existe esse tipo de preocupação", afirmou o general.

A invasão ao Capitólio foi um ataque ocorrido em janeiro do ano passado, quando apoiadores do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump tomaram o prédio para protestar contra o resultado das eleições, que consagraram Joe Biden como sucessor de Trump.

O ministro da Defesa ressaltou hoje que a discussão não deve tratar sobre dúvidas do sistema eleitoral, tema pautado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e apoiadores de sua base mais radical.

"As Forças Armadas estavam quietinhas no seu canto, no bom sentido, e foram convidadas pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] para participarem da comissão de transparência [das eleições de 2022]", falou.

"O presidente da República é o comandante supremo das Forças Armadas e, por vezes, me reservo o direito de fazer comentário sobre o presidente, Ministérios e ministros", afirmou o general.

Invasão ao Capitólio

Em 6 de janeiro de 2021, apoiadores da base radical de Donald Trump invadiram o Capitólio, que é o centro legislativo do governo norte-americano.

Após a derrota de Trump nas urnas, o então presidente fez discursos exaltados de que as eleições foram fraudadas e que os descontentes com o resultado deveriam marchar até o Capitólio.

Nos Estados Unidos, o voto pode ser enviado também pelos correios e, como o pleito ocorreu no primeiro ano da pandemia, algumas pessoas escolheram esse modo para indicar sua preferência ao governo.

O voto pelo correio se tornou um ponto polêmico entre os apoiadores de Trump, da mesma forma que o voto pela urna eletrônica no Brasil tem se tornado alvo de ataques de bolsonaristas e do próprio chefe do Executivo.

Bolsonaro constantemente diz que as eleições serão limpas, mas repete as investidas contra as urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral, incluindo críticas aos ministros do TSE.

Desde que as urnas eletrônicas foram implementadas —parcialmente em 1996 e 1998, e integralmente a partir de 2000— nunca houve comprovação de fraude nas eleições brasileiras, mesmo quando os resultados foram contestados. A segurança da votação é constatada pelo TSE, pelo MPE (Ministério Público Eleitoral) e por estudos independentes.

Em outubro, o TCU (Tribunal de Contas da União) emitiu um relatório técnico reforçando que as urnas são seguras e auditáveis, e que a impressão do voto traria riscos e exigiria recursos que não estão disponíveis atualmente na Justiça Eleitoral.