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Bolsonaro usa entrega de moradia como palanque, faz motociata e critica PT

O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de uma motociata ao lado de apoiadores em Minas Gerais - Divulgação
O presidente Jair Bolsonaro (PL) participou de uma motociata ao lado de apoiadores em Minas Gerais Imagem: Divulgação

Tiago Minervino

Colaboração para o UOL, em Maceió

26/05/2022 18h07

O presidente Jair Bolsonaro (PL) fez de sua visita hoje à cidade de Coronel Fabriciano, em Minas Gerais, para a inauguração de um residencial financiado pelo Programa Casa Verde e Amarela, um palanque com discurso eleitoral antecipado, com críticas indiretas ao Partido dos Trabalhadores e ao seu principal adversário, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele também participou de uma motociata pelas ruas mineiras.

Em seu discurso, Bolsonaro defendeu a família tradicional e criticou o que ele chamou de "ideologia de gênero". O presidente afirmou ser inadmissível eleger um candidato "que defenda o aborto ou queira desarmar seu povo", em referência indireta a Lula. Ainda, disse não querer que o Brasil "se transforme em uma Venezuela ou se aproxime do abismo da esquerda".

"Somos um país iminentemente cristão. Nossos valores devem ser preservados a qualquer custo. Não podemos admitir que quem ataque a família, defende o aborto, fale em ideologia de gênero, ou queira desarmar o seu povo, queira ser presidente da República", declarou.

No mês passado, Lula disse em entrevista ser contra a prática do aborto, mas ponderou que a realização do procedimento deve ser tratada como "questão de saúde pública". Em abril, o petista defendeu que os clubes de tiros abertos nos últimos anos, sobretudo na atual gestão, sejam transformados em clubes de leitura.

Bolsonaro foi recebido pelo prefeito de Coronel Fabriciano, Marcos Vinícius da Silva Bizarro (PSDB-MG), que também fez duras críticas ao PT. Segundo o tucano, o presidente foi à cidade para "concluir o trabalho de exterminar o PT do leste de Minas".

No palco, Bizarro levou sua filha, Maria Eduarda, para que lesse uma carta feita para o presidente em agradecimento pela visita ao município mineiro, além de cantar a música evangélica "Algo Novo", do cantor Kemuel.

'Momentos difíceis pós-pandemia'

Durante seu discurso, Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil passou, nos últimos anos, "por momentos turvos" e, "como o mundo todo", os brasileiros estariam vivendo "momentos difíceis". O mandatário também voltou a criticar as políticas sanitárias adotadas durante a pandemia de coronavírus, como a recomendação de ficar em casa para evitar a disseminação do vírus, e reiterou que jamais recomendou o fechamento de algum estabelecimento comercial.

"Vivemos momentos difíceis, como vive o mundo todo, neste período pós-pandemia. [Quero] dizer a vocês que eu não fechei uma casa de comércio sequer no nosso país", discursou, ressaltando que o governo federal comprou "mais de 500 milhões de doses de vacinas", mas "não obrigou ninguém a tomar" o imunizante, tampouco exigiu "passaporte vacinal".

"Para quem assim o quis, de forma voluntária, compramos mais de 500 milhões de vacinas, não obrigamos ninguém a tomar, nunca exigi passaporte vacinal, sempre respeitei a liberdade de cada um", afirmou Bolsonaro, que, durante a pandemia, fez vários discursos contra a eficácia das vacinas e, entre outros, endossou a recomendação de remédios sem eficácia comprovada contra a doença.

Bolsonaro diz não haver corrupção em seu governo

Ao falar sobre corrupção, Jair Bolsonaro ignorou as suspeitas de irregularidades em várias áreas de seu governo e afirmou que, ao longo dos três anos e meio em que está no poder, tem passado "longe da corrupção". Porém, o presidente ponderou que "pode aparecer" algum escândalo e, caso surja, ele ajudará a "esclarecer os fatos" para "punir os responsáveis".

"Estamos completando três anos e meio de governo, até o momento longe da corrupção. [Quero] deixar bem claro: se aparecer algum ato de corrupção, que pode aparecer, nós ajudaremos a esclarecer os fatos e levar a punição os possíveis responsáveis", pontuou.

Ao contrário do que disse Bolsonaro, seu governo acumula vários casos suspeitos de corrupção, que envolvem não apenas a sua gestão a nível federal, mas também no âmbito familiar, como a suspeita de tráfico de influência de Jair Renan, além da farra das rachadinhas, que envolveriam os filhos 01 e 02 do presidente, Flávio e Carlos Bolsonaro, além do próprio mandatário.

Outras suspeitas de irregularidades envolvem o ex-chefe da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Fabio Wajngarten, que, conforme a Folha revelou, teria recebido, por meio de uma empresa da qual era sócio, dinheiro de emissoras de TV e de agências de publicidade contratadas pelo governo. A PF abriu inquérito e o caso ainda está sob investigação.

Já o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, pediu demissão do cargo em junho de 2021, pouco tempo depois de ser alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) sobre madeireiras suspeitas de contrabando no Pará.

A compra de vacinas contra a covid também resultou em escândalos por suspeita de corrupção, a exemplo da aquisição dos imunizantes da Covaxin — o caso veio à tona pelo deputado federal Luis Miranda (União Brasil-DF), e envolve diretamente o aliado de Bolsonaro, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR). A ministra do STF, Rosa Weber, determinou a abertura de uma investigação para apurar as denúncias.

Entre outros, tem-se o escândalo que provocou a demissão do então ministro da Educação, Milton Ribeiro, por supostamente privilegiar pastores evangélicos sem qualquer cargo oficial no governo, a repassar dinheiro para as prefeituras. O beneficiamento aos religiosos foi para atender pedido pessoal do próprio Bolsonaro, conforme áudio do próprio Ribeiro.

Motociata

O presidente Jair Bolsonaro chegou a Minas Gerais na tarde de hoje. Antes de participar da inauguração de um residencial em Coronel Fabricianno, juntou-se a uma motociata no município de Santana do Paraíso, no Vale do Aço.

Com início em Santana do Paraíso, o chefe do Executivo percorreu, ao lado de centenas de apoiadores, o trajeto pela avenida do Parque Ipanema, em Ipatinga, até Coronel Fabriciano. O número oficial de presentes na motociata não foi divulgado.