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Atriz pornô obtém liminar, e PT de Mato Grosso terá que filiá-la

Atriz pornô Ester Pessatto diz que Diretório do PT cancelou a sua filiação após repercussão - Reprodução
Atriz pornô Ester Pessatto diz que Diretório do PT cancelou a sua filiação após repercussão Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

25/05/2022 19h37Atualizada em 26/05/2022 10h43

A atriz pornô Ester Caroline Pessatto obteve hoje uma liminar na Justiça Eleitoral de Mato Grosso que determina sua filiação ao PT. Conhecida como "Tigresa VIP", ela tem 1,5 milhões de seguidores no YouTube e planeja disputar uma vaga de deputada estadual.

A decisão é do juiz Alexandre Paulichi Chiovitti, da 38ª Zona Eleitoral de Mato Grosso. O magistrado determinou também que o PT de Barão de Melgaço (MT) apresente a lista de filiados do partido em até três dias, com o nome de Ester incluído.

"Ao que parece, efetivamente, o processo de suspensão correu sem a observância dos ditames atinentes ao direito de defesa", escreveu o juiz.

Procurada pelo UOL, a assessoria de imprensa do deputado estadual e presidente da sigla no Estado, Valdir Barranco (PT), informou que não comenta sobre o assunto.

"No caso Ester, o arbítrio, a hipocrisia e o preconceito foram derrotados pelo Estado Democrático de Direito. A verdade venceu a mentira. O Poder Judiciário demonstrou que não vivemos em terra sem lei. Restabeleceu a ordem e a justiça", diz a nota do advogado Paulo Lemos.

Os advogados dela ajuizaram uma ação contra o Diretório Estadual do PT em Mato Grosso na segunda-feira (23). Mais cedo, o advogado de Ester disse que arecusa é um "ato arbitrário e ilegal com objetivo líquido e certo de fazer revigorar sua filiação". Na ação, a defesa afirma que o processo de suspensão da cliente foi realizado sem transparência, direito ao contraditório e ampla defesa.

"Deve-se registrar que a Demandante havia solicitado a transferência de seu título de eleitor para o município de Barão de Melgaço/MT, onde reside atualmente. Materializada a mudança de seu domicílio eleitoral, a sua filiação partidária também foi transferida", argumenta a defesa na ação.

Filiação negada

Ester já havia se filiado ao partido no diretório municipal de Barão de Melgaço, a 110 km de Cuiabá. Inicialmente, segundo os advogados, Ester teve a filiação confirmada em 2 de abril, e no dia 14, a sua pré-candidatura foi anunciada em evento do PT, na capital Cuiabá.

Mas a ficha acabou sendo recusada em 22 de abril, conforme revelou um áudio vazado da deputada federal Rosa Neide (PT-MT). Na mensagem de voz, a parlamentar diz que a filiação de Ester faria o partido ser "chacota nacional" e diz que Valdir Barranco (PT) tomaria providências sobre a filiação da atriz.

Líderes do PT alegam irregularidades no processo de filiação de Ester. Segundo eles, não houve autorização do diretório do município. Nas redes sociais, Ester defende Lula para seus seguidores e critica o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Atriz fala em 'discriminação'

Procurada pela reportagem do UOL em abril, Ester afirmou que o áudio vazado é uma situação ainda mais "violenta" do que a sua exclusão do partido e que ela foi retirada do PT por discriminação. A atriz pornô diz que não teve direito de defesa durante o processo que levou à suspensão de sua filiação.

"Quando me deparei com o áudio da deputada Rosa Neide, me senti atacada na minha dignidade, humilhada e marginalizada, porque é claro fui alvo de discriminação, não tendo nada a ver com a justificativa do dirigente estadual, Barranco, de que teria havido falhas formais, o que não ocorreu", afirmou a atriz.

"Eu continuo acreditando no PT, sei que a responsabilidade foi de meia dúzia de pessoas do Diretório Estadual, após provocação da deputada federal, foram eles que decidiram destituir minha filiação, sem justa causa alguma", completou.