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Tales: Doria posará de 'bom moço', mas já colocou nomes no 'caderninho'

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/05/2022 13h54Atualizada em 23/05/2022 14h34

Para Tales Faria, colunista do UOL, o ex-governador João Doria (PSDB-SP) deverá amenizar o discurso após abrir mão da pré-candidatura à Presidência da República, agindo como um "bom moço" e "de bem com todo mundo", mas já tem nomes anotados para se vingar.

"Esteja certo: ele anotou no caderninho dele o nome do Rodrigo Garcia (pré-candidato do PSDB para o governo de SP) e do Bruno Araújo (presidente do PSDB), e algum dia ele vai tentar dar o troco neles", disse Tales em participação no UOL News - Tarde, programa do Canal UOL.

Para o colunista, o ex-governador deverá guardar mágoas da dupla, que aplicou uma "facada nas costas" dele, pois foi Doria quem ajudou a colocar Araújo na presidência tucana, e Garcia era o vice dele no governo de SP.

Em abril, Araújo deixou o comando da pré-campanha do ex-governador reagindo com um "ufa!" no Twitter. Já Garcia vinha dando declarações no sentido de evitar quaisquer comparações com Doria, de quem foi vice.

Na semana passada, os presidentes do PSDB, do MDB (Baleia Rossi) e do Cidadania (Roberto Freire) haviam escolhido a senadora Simone Tebet (MDB) como pré-candidata única do grupo de legendas, em detrimento de Doria.

Os líderes partidários basearam a decisão em pesquisas internas, que mostravam Tebet tendo menos rejeição eleitoral do que Doria. A então pré-campanha do ex-governador, porém, desejava reagir até mesmo judicialmente contra a decisão suprapartidária.

Ao anunciar a desistência da pré-candidatura, no início da tarde de hoje, Doria disse estar se retirando da disputa "com o coração ferido, mas com a alma leve", e disse que o PSDB "saberá tomar a melhor decisão para as eleições deste ano".

Para Tales, a fala de Doria em relação ao PSDB e o processo eleitoral foi um recado para o partido, colocando pressão sobre as decisões da legenda.

"Ele está jogando toda a responsabilidade em cima da cúpula partidária para depois voltar dizendo: olha, eles fizeram a bagunça, mas eu vou consertar", disse, afirmando que o movimento da legenda deve colocar mais pressão sobre Garcia em São Paulo.

"Ele (Garcia) sempre disse que precisava do Doria saindo para poder evoluir", pontuou Tales Faria, citando conversas de bastidores que dão conta de que o ex-vice avaliava a sombra do ex-governador como um fardo que não lhe fazia crescer nas pesquisas de intenção de voto.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje aponta Fernando Haddad (PT), com 29%, à frente na corrida eleitoral, sendo seguido por Márcio França (PSB) e Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), empatados numericamente, com 15%.

Rodrigo Garcia vem logo atrás do trio, com 7% das intenções de voto. "Agora, o Doria saiu. Será que sobe?", indagou Tales Faria, retoricamente. "Acho que não muda nada. Talvez, até piore", pontuou ainda.

A avaliação de Tales vai na mesma linha da proferida por Alberto Bombig, também colunista do UOL. "A bola na marca do pênalti do PSDB agora é a eleição de São Paulo", afirmou, destacando uma eventual vitória do partido no pleito como essencial para a sobrevivência política da legenda.

"O PSDB sai muito diminuído desse episódio. É muito ruim para imagem do partido, que já esteve no Palácio do Planalto e tem bandeiras — como o Plano Real — e líderes históricos — como Fernando Henrique Cardoso e José Serra", acrescentou.