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Sabatina UOL/Folha

Pré-candidatos são entrevistados por jornalistas do UOL e da Folha


Pré-candidato do PDT no Rio defende Lula e critica Lava Jato e Castro

Henrique Sales Barros e Matheus Mattos

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/05/2022 10h21Atualizada em 18/05/2022 11h55

O pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PDT, Rodrigo Neves, elogiou mais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sabatina UOL/Folha realizada hoje, do que o presidenciável de seu partido, Ciro Gomes.

Também fez críticas à Operação Lava Jato, da qual foi alvo de uma acusação em 2018, depois arquivada, e ao governo atual de Cláudio Castro (PL), que assumiu após o impeachment do ex-juiz Wilson Witzel (PSC).

Sobre Ciro disse que é "uma pessoa preparada, íntegra e que tem compromisso com o Brasil", mas foi bem mais efusivo nos elogios a Lula: "Foi o melhor presidente desde a redemocratização do Brasil, sem dúvida alguma".

A crítica principal a Ciro foi com relação aos ataques a Lula, que Neves considerou "passar do ponto" e "dificultar pontes no segundo turno".

"Esta eleição de 2022 tem um papel muito importante na defesa à democracia e em resposta às ameaças do neofascismo e do projeto de populismo autoritário de extrema-direita. Não podemos de maneira nenhuma deixar de preservar caminhos de diálogo."

Ele criticou a escolha de apoio de Lula à pré-candidatura de Marcelo Freixo (PSB), apontando que ele é inexperiente em cargos no Executivo.

"Eu tenho respeito ao deputado Freixo, ele é um bom parlamentar. Agora, Freixo saiu do PT em 2004 e fez oposição cerrada ao ex-presidente Lula durante oito anos. Depois que o Lula decolou nas pesquisas, o Freixo se tornou Lula desde criancinha."

Disse que sua candidatura é "absolutamente irreversível". "Já tenho o apoio declarado do Patriota e do Cidadania e uma boa conversa com o PDT. Acredito que podemos ter o apoio do União Brasil. Esse diálogo está acontecendo. Eu tenho apoios declarados de setores do PSB, do PCdoB, do PT."

Abusos da Lava Jato

Alvo de delação premiada na Lava Jato do Rio de Janeiro, ele foi acusado de participar de um esquema de propinas nos transportes, o que resultou em sua prisão por 40 dias. Ele disse que se sentiu "praticamente sequestrado''.

"Fiquei uma semana sem saber do que estava sendo acusado, mais de 40 dias sem ver a minha esposa. É inacreditável, nem nas piores ditaduras isso aconteceu. Eu nunca fui ouvido", criticou.

"Se fez uma falsa delação com uma pessoa que nunca teve contrato com a Prefeitura de Niterói, que diz que ouviu dizer. Quebraram todo o sigilo e não encontraram nada."

"A corrupção é um desafio que precisa ser enfrentado. O problema é que a Lava Jato claramente foi instrumentalizada por interesses pessoais", disse, citando a atuação do ex-juiz Sergio Moro (hoje no União Brasil), que tirou Lula da disputa em 2018 com a decisão da prisão do ex-presidente e depois virou ministro de Jair Bolsonaro (PL).

Críticas a Cláudio Castro

O pedetista também criticou o atual governador do estado, dizendo que a "impressão generalizada" que se tem do mandatário é que "ele não governa, só é teleguiado por alguém".

"O Castro foi o carregador da mala do pastor Everaldo, do PSC, a vida toda. Ele era um assessor que virou vice de um governador improvável, o juiz Witzel, e virou governador do Rio", disse Neves.

"Ele loteou órgãos do estado, como as secretarias de Educação, de Ciência e Tecnologia e de Transporte, que eram centrais, e deu para secretários amigos. Não há entrega nenhuma nesses quatro anos. A educação piorou, a saúde piorou, o transporte público piorou", afirmou.

A entrevista foi conduzida por Kennedy Alencar e Chico Alves, colunistas do UOL, e Italo Nogueira, repórter da Folha.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em abril, há um empate técnico na liderança entre o deputado federal Marcelo Freixo (PSB) e o atual governador, Cláudio Castro (PL).

O terceiro lugar traz oito candidatos tecnicamente empatados: Anthony Garotinho (União), com 7%; Rodrigo Neves, com 5%; Eduardo Serra (PCB), com 4%; General Santos Cruz (Podemos), também com 4%; Cyro Garcia (PSTU), com 3%; André Ceciliano (PT), com 2%; Felipe Santa Cruz (PSD), com 2%; e Paulo Ganime (Novo), que tem 1% das intenções de voto.

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Calendário das sabatinas no Rio

  • 18/5 - 16h - Anthony Garotinho (União Brasil)
  • 19/5 - 10h - Eduardo Serra (PCB)
  • 19/5 - 16h - Cyro Garcia (PSTU)
  • 20/5 - 10h - Marcelo Freixo (PSB)
  • 20/5 - 16h - Cláudio Castro (PL)

Nas próximas semanas, também serão feitas sabatinas com candidatos ao governo do Paraná, Pernambuco, Ceará, Bahia e Rio Grande do Sul.