PUBLICIDADE
Topo

Kassab não quer apoiar Lula para evitar racha no PSD, diz petista

Gilberto Kassab é o presidente nacional do PSD - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Gilberto Kassab é o presidente nacional do PSD Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Colaboração para o UOL

03/05/2022 21h47

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) disse que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, não quer demonstrar apoio à candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República no pleito deste ano para evitar um racha dentro do partido, que hoje está dividido entre apoiadores do petista e também simpatizantes da reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em entrevista à Revista Fórum, Zarattini pontuou que parlamentares do PSD mais ao Sul do país tendem para a direita conservadora, representada pelo atual chefe do Executivo Federal, enquanto mais ao Norte os políticos do partido de Kassab já declararam abertamente apoio a Lula, a exemplo do senador Omar Aziz (PSD-AM).

"O Kassab não quer apoiar o Lula porque isso levaria a um racha dentro do partido. O pessoal mais do Sul do PSD é um pessoal de direita. Quando você tem o Otto Alencar e o Omar Azziz que querem apoiar o Lula. Então, se ele define o apoio ao Lula, ele racha", declarou.

Apesar da dificuldade em obter apoio de Kassab, Zarattini se mostra otimista quanto a possibilidade de o ex-presidente petista conseguir sair vitorioso em alguns estados nos quais o PT tem tido dificuldades nas últimas eleições, a exemplo de São Paulo. Para isso, ele sinalizou que a principal aposta é o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB-SP), que já chefiou o estado por quatro vezes.

"[Em] São Paulo nós estamos com condições de ganhar, é uma novidade no cenário nacional. São Paulo não está aceitando Bolsonaro. A rejeição a ele aqui é grande e será difícil mudar. Então, há essa possibilidade. E aqui nós temos uma arma importante, que é o Geraldo Alckmin, que é muito respeitado no interior do estado. Então ele pode abrir um diálogo da nossa candidatura do Lula. Alckmin vai ajudar o Lula no interior do estado", pontuou.

Disputas estaduais

Na entrevista, Carlos Zarattini salientou que, apesar de algumas divergências no âmbito nacional, o PT e o PSD podem fazer alianças regionais e citou São Paulo, com a possibilidade de uma chapa formada por Fernando Haddad e o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth, embora este já tenha afirmado que não apoiará a candidatura de Lula, tampouco a de Jair Bolsonaro, e seja um político de postura mais conservadora.

"Aqui em São Paulo, o Felício é um camarada conservador, mas nós podemos conversar com ele também, para participar da chapa. Por que não [ele como vice do Haddad]? Não estou defendendo que seja a melhor opção, [mas] para a gente fazer uma mudança, precisamos de uma força maior. O Felício é uma dissidência do PSDB. É difícil porque o Felício é conservador. Mas vamos conversar", disse.

Um outro ponto que carece de consenso no pleito pelo governo de São Paulo é a disputa travada entre Haddad e o ex-governador Márcio França (PSB-SP). Segundo Zarattini, França "está forçando a mão" em prol de sua candidatura, mas ele diz acreditar em uma "unidade" com chapa única entre os dois — atualmente, Haddad aparece à frente de França, conforme apontam as pesquisas de intenções de votos.

"Nosso problema aqui é resolver a vida com o Márcio França que está forçando a mão para manter a candidatura dele, mas a gente ainda aposta que ele venha junto, que a gente possa contar com ele na candidatura do Haddad e, portanto, a gente fazer a unidade. É lógico que vai exigir muita conversa, muita discussão", ponderou.

Já no Rio de Janeiro, a aliança formada entre o PT e o PSB também está "confusa", porque os petistas querem lançar o presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio), André Ceciliano, ao Senado, na chapa com Marcelo Freixo, candidato ao governo do estado, mas o PSB defende a candidatura de Alessandro Molon para a vaga de senador.

"No Rio, a coisa está meio confusa, porque a candidatura do Freixo é nossa opção número um, mas o PSB insiste em lançar o Molon como senador e aí complica, porque o PT reivindica um lugar na chapa, e esse lugar seria o Senado, para o André Ceciliano, e até agora não conseguimos resolver esse problema", completou.