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Após aceno de Lula, Marina cobra discussão de ideias: 'Apoio programático'

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, participa do "Ato pela Terra" organizado por Paula Lavigne e Caetano Veloso - Sergio Dutti/UOL
Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, participa do 'Ato pela Terra' organizado por Paula Lavigne e Caetano Veloso Imagem: Sergio Dutti/UOL

Colaboração para o UOL*

30/04/2022 15h07Atualizada em 30/04/2022 15h08

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) disse, em entrevista à CNN Brasil hoje, que prefere debater ideias mais do que pré-candidatos. A declaração é feita após o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazer um aceno à ex-senadora.

"Tenho insistido na ideia de que mais do que os pré-candidatos ficarem preocupados em receber apoios, eles precisam sinalizar o que estão apoiando, com o que estão se comprometendo", disse Marina.

Lula fez na quinta-feira (28) uma deferência a Marina, de quem ele vem tentando se reaproximar. "Eu esperava que a Marina estivesse aqui", disse o petista, durante um ato político da Rede, em Brasília, de apoio à sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto.

Sobre esse apoio de parte da Rede ao petista - o senador Randolfe Rodrigues é um dos responsáveis pela campanha -, a ex-ministra diz que essa é uma característica do partido.

"Está dentro do que é o escopo da Rede. A Rede é um partido democrático. Não existe centralismo democrático na Rede. Como dessa vez não teremos uma candidatura própria, estabelecemos que iríamos liberar nossos militantes, lideranças políticas, no campo das candidaturas democráticas e populares, no caso Ciro [Gomes] e Lula".

Sempre tive diálogo com Ciro, diz Marina

Durante a entrevista, Marina Silva - que preferiu não cravar apoio a um pré-candidato - disse que sempre manteve uma relação de diálogo e amizade com o ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PDT), pré-candidato ao Planalto.

"Sempre tive diálogo com Ciro Gomes, uma pessoa que tenho relação de amizade e respeito", ressalta a ex-ministra.

Porém, Marina voltou a criticar a postura do atual marqueteiro de Ciro, o jornalista e publicitário João Santana. Em 2014, o comunicador foi responsável por uma propaganda contra a ex-ministra, então presidenciável, que ela classifica como incitação ao ódio.

"Ele encetou esse método de ódio, violência, desconstrução de biografia. Isso não é bom para o Brasil, isso não tem a ver com rancor, mágoa. Isso é de interesse público", disse.

Marina Silva também confirmou que discute a possibilidade de disputar uma cadeira na Câmara Federal por São Paulo. "Confesso que não é algo que coloquei em meus horizontes, mas, diante de tudo isso que estamos sofrendo, a gente vai precisar de todo mundo para fazer uma reconstrução".

PSOL oficializa apoio a Lula

O diretório nacional do PSOL oficializou, em conferência hoje, o apoio à pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto. A reunião também definiu o programa político que será defendido pela sigla nas eleições.

"A união da esquerda em torno da candidatura de Lula é sem dúvida a melhor tática para derrotar Bolsonaro. Estamos felizes e esperançosos com essa decisão. Na semana que vem já iniciaremos as conversas para participar do conselho político da campanha e da coordenação do programa de governo", afirma, em nota, Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.

Medeiros diz que, agora, o partido deve se reunir com a Rede Sustentabilidade para que a federação partidária entre as siglas apoie formalmente o petista.

*Com informações do jornal O Estado de S.Paulo