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União Brasil diz que pode deixar 3ª via; ala pró-Moro quer chapa com Bivar

Sergio Moro e Luciano Bivar - Rui Baron/VEJA; Mateus Bonomi/AGIF/AFP
Sergio Moro e Luciano Bivar Imagem: Rui Baron/VEJA; Mateus Bonomi/AGIF/AFP

Weudson Ribeiro

Colaboração para o UOL, em Brasília

27/04/2022 16h15

O União Brasil confirmou hoje que pode deixar a chamada "terceira via", bloco político que busca viabilidade para tentar derrotar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República neste ano. Nesse campo, além do presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar, estão a senadora Simone Tebet (MDB-MS) e o ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB).

O tema deve ser abordado em reunião na semana que vem com lideranças da sigla. Na avaliação de Bivar, o partido tem recursos e tempo de televisão suficientes para lançar uma candidatura independente.

Consultadas pelo UOL, as presidências de MBD, PSDB e Cidadania, que compõem o bloco, não haviam se manifestado sobre a possibilidade até a última atualização desta reportagem.

Um dos principais interlocutores do partido, o deputado federal Junior Bozzella aponta como um dos fatores que prejudicam a harmonia do bloco a divisão dentro do PSDB provocada por aliados do ex-governador Eduardo Leite (RS), que defendem o nome do tucano para o pleito presidencial em vez de Doria.

"O consenso atual é que se o União Brasil deixar a terceira via, nós teremos condições de ter candidaturas viáveis à Presidência da República assim como já temos dentro desse bloco", afirmou.

Outra apuração do UOL mostrou que o fato de Simone Tebet ter supostamente usado o fato de ser mulher para exigir o lugar de cabeça da candidatura da terceira via foi mal recebido por pessoas próximas a Bivar dentro do União Brasil.

Os dirigentes dos partidos que integram o bloco, Bruno Araújo (PSDB), Baleia Rossi (MDB), Antonio Rueda (União Brasil) e Roberto Freire (Cidadania), reuniram-se ontem em Brasília. O grupo estuda realizar outra reunião, em data a ser definida, para possibilitar a presença dos pré-candidatos, antes de anunciarem qual nome deve disputar a Presidência pela coalizão, em 18 de maio.

Ala pró-Moro quer chapa 'puro sangue'

No União Brasil, a avaliação é que o partido tem muitos quadros para ter uma chapa presidencial pura (com dois candidatos do mesmo partido), fora da chamada "terceira via". Segundo interlocutores próximos ao ex-ministro Sergio Moro ouvidos pelo UOL, uma composição com o Bivar, atual pré-candidato ao Palácio do Planalto pela sigla, como vice do ex-juiz da Lava Jato seria "o ideal" por dois motivos.

Ele é o maior cabo eleitoral que temos no momento e o União Brasil precisa tanto de Moro quanto Moro precisa do União Brasil. Qualquer decisão que venha a ser tomada nesse sentido seria positiva
Integrante do União Brasil sobre Sergio Moro

O primeiro é o capital político do ex-juiz da Lava Jato, avaliado como bom. O outro é a presumida popularidade do ex-juiz com uma parcela do eleitorado que abandonou o bolsonarismo, que poderiam tornar eventual composição com Bivar mais robusta, na avaliação de dirigentes.

Moro não decidiu se quer ser deputado

Resistente à ascensão do ex-juiz da Lava Jato a uma chapa presidencial, outro setor do União Brasil pressiona para que Moro aceite concorrer à Câmara dos Deputados pela legenda.

"Ele está muito desgastado. O União Brasil quer colocar Moro no tamanho que eles acham que ele tem, que é para o Congresso Nacional. Avalia-se que Moro consegue cerca de 2 milhões de votos por São Paulo se concorrer a deputado federal, o que daria bastante cadeira ao partido", disse outro interlocutor próximo a Moro ao UOL.

O ex-juiz afirma agora que ainda não decidiu se quer ser deputado federal, senador ou presidente pela sigla. No entorno de Moro, a avaliação é de que ele precisará ter um mandato no próximo ano, seja qual for. Em janeiro, Moro havia negado quaisquer planos de abandonar a tentativa de se eleger ao Palácio do Planalto: "Sou pré-candidato à Presidência, não ao Senado", disse à época.