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Políticos reagem à nota da Defesa contra fala de Barroso

O ministro Luis Roberto Barroso em sessão do Tribunal Superior Eleitoral. Falas dele sobre o papel das Forças Armadas no processo eleitoral desencadearam uma série de reações. - Reprodução
O ministro Luis Roberto Barroso em sessão do Tribunal Superior Eleitoral. Falas dele sobre o papel das Forças Armadas no processo eleitoral desencadearam uma série de reações. Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

25/04/2022 18h09Atualizada em 26/04/2022 10h25

Após falas do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso sobre o papel das Forças Armadas no processo eleitoral e da resposta do Ministério da Defesa, o assunto seguiu em alta entre apoiadores e opositores do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais.

Barroso havia dito, em conferência da universidade alemã Hertie School, de Berlim, que haveria uma tentativa de instrumentalização do Exército para desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral. O ministro ainda lembrou que, desde 1996, não havia nenhum caso comprovado de fraude em qualquer pleito eleitoral.

A nota da Defesa, em resposta, disse que "afirmar que as Forças Armadas foram orientadas a atacar o sistema eleitoral, ainda mais sem a apresentação de qualquer prova ou evidência de quem orientou ou como isso aconteceu, é irresponsável e constitui-se em ofensa grave".

Quando era presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Barroso convidou representantes das Forças Armadas para participarem da Comissão de Transparência, que analisa o processo de apuração eleitoral e o uso das urnas eletrônicas nas eleições deste ano.

Governistas atacam Barroso

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, criticou as falas de Barroso. Segundo ele, as Forças Armadas não seriam criança para receberem orientações.

Já o chefe da secretaria-geral da Presidência da República, o general Luiz Eduardo Ramos, disse que defender a soberania nacional seria um dever das Forças Armadas.

A deputada Bia Kicis (PL) relembrou o convite de Barroso ao Exército e relativizou as críticas ao processo eleitoral.

O filho do presidente Jair Bolsonaro e também deputado federal, Eduardo Bolsonaro (PL), criticou as falas de Barroso e a imprensa.

O ex-aliado de Bolsonaro, general Paulo Chagas, apontou que o ministro do STF teria praticado crime militar ao supostamente difamar as Forças Armadas.

Oposição critica nota da Defesa

A oposição, em contrapartida, criticou a reação às falas de Barroso. A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse que comandantes que se envolvessem no que chamou de "aventura" estariam destruindo por dentro a hierarquia e a credibilidade das Forças Armadas.

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) apontou uma possível contradição no fato de as Forças Armadas exigirem provas de que houvesse orientação para atacarem o sistema eleitoral, mas não apresentarem provas de inconsistências nas urnas eletrônicas.

O deputado federal e pré-candidato ao governo do Rio Marcelo Freixo (PSB) foi sucinto: "Bons generais não devem seguir um mau capitão."

O senador Fabiano Contarato (PT) disse que não seria normal um militar se atrever a divulgar notas contra um juiz da Suprema Corte.