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'Tchau, querida': Sindicalistas vaiam Paulinho da Força em evento com Lula

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

14/04/2022 11h56

A presença do deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) no encontro de sindicalistas com o ex-presidente Lula (PT) hoje, em São Paulo, causou mal-estar entre os presentes.

Apoiador do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), ele foi vaiado em mais de um momento pelos participantes.

O evento, realizado em auditório lotado no centro da capital paulista, é o primeiro grande encontro de Lula, pré-candidato ao Planalto, com diversas lideranças sindicais. Indicado a vice da chapa, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) também está presente. Só Paulinho foi vaiado.

No microfone, diversas lideranças sindicais se revezam para falar das dificuldades de emprego nos diferentes setores.

Paulinho é presidente de honra da Força Sindical, uma das centrais com maior número de presentes, mas ficou sentado na fila de trás, no canto esquerdo e não deve discursar. Nos momentos em que membros da Força citaram seu nome, houve vaias por todo o público.

paulinho - Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo - Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo
1º.mai.2016 - O deputado federal Paulinho da Força (SD-SP) ao lado do humorista Carioca e da placa 'Tchau, querida', pró-impeachment de Dilma Rousseff
Imagem: Paulo Lopes/Futura Press/Estadão Conteúdo

"Traidor, votou pelo golpe", gritou um sindicalista sobre o apoio de Paulinho em impeachment de Dilma. O deputado não só votou a favor da saída da então presidente como participava das manifestações com placas de "Tchau, querida".

A grande aliança que Lula vem formando, inclusive entre outras lideranças que também articularam em favor da saída de Dilma, como o ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE), tem sido um ponto polêmico na campanha de Lula.

O PT e o próprio presidente têm assumido o discurso de que é preciso união ampla para evitar um "mal maior", que seria a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Sob o discurso de "democracia contra fascismo", PT e PSB também lançaram a chapa de Lula com Alckmin. A coligação foi aprovada ontem pelo diretório nacional por 68 votos a favor e 16 contra.

Quadro histórico do PSDB, Alckmin, então no governo paulista, também se pronunciou a favor da saída de Dilma e sempre teve o apoio de Paulinho. No evento, no entanto, foi chamado mais uma vez de "companheiro" pelos sindicalistas e foi amplamente aplaudido.