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França diz que foi ele quem sugeriu Alckmin vice: Lula me pediu o telefone

19 dez. 2021 - Geraldo Alckmin (sem partido), ex-governador de São Paulo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se cumprimentam no restaurante A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, durante o jantar do grupo Prerrogativas - Ricardo Stuckert/Imprensa Oficial de Luiz Inácio Lula da Silva/AFP
19 dez. 2021 - Geraldo Alckmin (sem partido), ex-governador de São Paulo, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se cumprimentam no restaurante A Figueira Rubaiyat, em São Paulo, durante o jantar do grupo Prerrogativas Imagem: Ricardo Stuckert/Imprensa Oficial de Luiz Inácio Lula da Silva/AFP

Do UOL, em São Paulo

25/03/2022 11h34Atualizada em 25/03/2022 11h34

O ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), diz que foi dele a ideia de uma chapa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) para enfrentar Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais de 2022.

Em entrevista à revista Veja, França conta que visitou Lula em São Bernardo, na região do ABC paulista, em outubro do ano passado.

Segundo França, ele começou dizendo que Lula deveria pensar em um "nome da política" para a composição de sua chapa, não em empresários, como Luiza Trajano. O ex-governador também incentivou Lula a procurar alguém do Sudeste, considerando a importância eleitoral da região, e com características diferentes.

Em janeiro, Lula disse que seu vice, independentemente da escolha, deveria ser um contraponto ao PT.

Tem um nome que está disponível, que ninguém nunca pensou, mas eu vivo pensando. Acho que o senhor iria gostar porque é um cara diferente: Geraldo Alckmin
Márcio França relembra conversa com Lula em entrevista à Veja

"Ele não demorou três segundos para falar: 'Me dá o telefone dele'", acrescentou. A conversa com Lula em São Bernardo durou três horas.

França diz que pensou na possibilidade de uma chapa Lula-Alckmin em 25 de setembro, quando ele, Alckmin e o ex-ministro Gilberto Kassab se encontraram em Cajamar, na Grande São Paulo. Eles conversaram, principalmente, sobre a estratégia para a eleição ao governo de São Paulo, mas França diz ter ficado impressionado com o tom nacional do discurso de Alckmin.

"Depois de ter sido candidato à Presidência, era claro que o Geraldo havia mudado a chave. Estava pensando no país, não mais no estado", diz.

França diz que sabia que o PSB poderia indicá-lo para ser o vice de Lula e compartilhou a ideia com Fernando Haddad (PT), que abraçou o plano. Procurado pelo UOL, a assessoria de imprensa de Haddad confirmou que o ex-prefeito ajudou a costurar um acordo entre Lula e Alckmin.

A saída de Alckmin da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ajuda tanto França quanto Haddad na corrida pelo governo de São Paulo.

A Veja relata que, a partir do sinal verde de Lula, Haddad se aproximou de Alckmin por meio de um amigo em comum, o escritor Gabriel Chalita. A conversa definitiva entre Lula e Alckmin só aconteceria em fevereiro, na casa de Haddad em Moema, na zona sul de São Paulo. Eles firmaram um acordo, mesmo sabendo de possíveis resistências de apoiadores de ambos.

Um passo decisivo para a confirmação da chapa Lula-Alckmin aconteceu na quarta-feira (23), quando Alckmin se filiou ao PSB. Ainda sem cravar que será vice de Lula, ele elogiou o petista e criticou indiretamente o presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele ainda comentou sobre os embates com Lula, dizendo que eles tiveram uma rivalidade nos limites da democracia.

[Lula] é hoje o que melhor reflete, interpreta, o sentimento de esperança do povo brasileiro. Aliás, ele representa a própria democracia, porque ele é fruto da democracia. Não chegaria lá, do berço humilde, se não fosse o processo democrático"
Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo