PUBLICIDADE
Topo

Conversa de Portão #43: O que significa feminismo para você?

Mais Conversa de Portão
1 | 25

De Ecoa, em São Paulo

03/08/2021 06h00

A definição mais simples para feminismo é: um movimento social por direitos civis, protagonizado por mulheres que, desde a sua origem, reivindica a igualdade política, jurídica e social entre homens e mulheres. Mas será que é só isso? A discussão de igualdade de gênero no Brasil e no mundo aumentou, ao mesmo tempo em que o movimento e as mulheres que se assumem feministas têm sofrido cada vez mais ataques.

Neste último episódio da primeira temporada da série Feminismos, Semayat Oliveira ouve mulheres com trajetórias diferentes que falam como chegaram ao feminismo: Mara Lúcia, servidora pública na área da saúde e integrante da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, Luana Bispo, presidente da ONG Lar Maria e Sininho, e as jornalistas Lívia Lima e Jéssica Moreira, do Nós, mulheres da periferia.

Jéssica Moreira conta que quando olha para trás e se lembra de sua avó, mãe e tias, que foram mulheres que nunca tiveram acesso à teoria do feminismo mas ainda assim lutaram por direitos e igualdade, percebe que o feminismo, para ela, foi uma construção. "A partir dessas mulheres que eu me identifico como mulher, negra e periférica. Tenho vivência e formação em uma prática de mulheres periféricas que nem sempre se chamaram de feministas" (a partir de 5:11 do arquivo acima),

Lívia Lima diz que apesar de ter tido contato com a teoria na universidade, nunca tinha sido apresentado ao feminismo para se tornar feminista. "Não entendia aquilo como parte da minha realidade, era muito teórico e abstrato. Só a partir da fundação do Nós, em 2014, é que percebi o feminismo porque fomos recebidas como feministas" (a partir de 6:55 do arquivo acima).

Para Mara Lúcia foi a dor que despertou a necessidade de se aproximar das lutas femininas. Primeiro na infância, quando sofreu uma tentativa de abuso do padrasto, e mais tarde quando teve a companheira assassinada a tiros. "'Porque sapatão tem que morrer', foi o que disseram. Aqui no Brasil não tem como não sermos feministas. Nós, mulheres negras, já nascemos para a luta, já nascemos o tempo todo tendo que resgatar nossa humanidade, a sociedade não dá brecha para sermos outra coisa." (a partir de 9:25 do arquivo acima).

Na vida de Luana Bispo nunca teve espaço para diferenças, desde pequena ela se incomodava com as questões da casa que eram atribuídas às mulheres. "Eu me casei com 21 anos e já deixei tudo claro, que tudo em casa seria dividido igual e não só eu, mulher, iria fazer. Eu não me identifiquei como feminista, mas sempre soube o que eu queria, e era igualdade, e não fazer nada imposto a mim pelo meu gênero, por ser uma mulher" (a partir de 15:04 do arquivo acima).

O feminismo não fez sentido para todas as mulheres do mundo ao mesmo tempo, mas foi do desejo individual de muitas mulheres juntas que todas conquistaram vitórias coletivas muito importantes, porque mesmo com embate político, o desejo comum é sempre o de avançar.

O Conversa de Portão é um podcast produzido pelo Nós, Mulheres da Periferia em parceria com UOL Plural, um projeto colaborativo do UOL com coletivos e veículos independentes. Novos episódios são publicados toda terça-feira.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição. Você pode ouvir Conversa de Portão, por exemplo, no Youtube, no Spotify e no Google Podcasts.