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Papo Preto #9: Eleições 2020 e a sub-representação negra na política

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

04/11/2020 04h00

Sete em cada dez prefeitos no Brasil hoje são brancos de acordo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A população negra brasileira é sub-representada em diversos espaços de poder. Embora 56% dos brasileiros se autodeclarem negros, conforme estima o IBGE, essa realidade não se reflete também nos representantes das câmaras de todo o país. As pesquisadoras sobre política e relações raciais Beatriz Chaves e Nailah Neves Veleci conversam com Yago Rodrigues e Nataly Simões, do Alma Preta, sobre essa sub-representação e o cenário eleitoral de 2020.

Os dados sobre candidaturas negras no Brasil começaram a ser coletados apenas em 2014, o que, de cara, já dificulta o desenho de um panorama eleitoral histórico dentro dessa perspectiva.

"Mas a literatura aponta uma a centralidade que a dinâmica partidária tem, e, principalmente, o subfinanciamento eleitoral dessas candidaturas", diz Beatriz (a partir de 5:34 do arquivo acima). "Então, a gente tem diversos estudos que demonstram que não faltam candidatos negros para os diversos cargos. O que falta é o recurso para que esses candidatos consigam se eleger".

Nailah concorda e lembra que isso tem nome. "O que eu gosto de acrescentar aí é que a gente pode nomear, podemos dizer que é racismo, né? Acho que a gente não precisa ficar rodeando", completa (a partir dos 5:50 do arquivo acima). "Nosso sistema político é de supremacia branca, porque ele é estruturado pelo racismo. Nossa esfera pública é fundadae interligada com esfera privada do senhor colonial. Então, as regras do nosso sistema político foram feitas para manter uma elite política. E essa elite política, exatamente por ter essa interligação com a esfera privada do senhor colonial, é branca.", diz, citando a teoria do contrato racial do filósofo Charles W. Mills, no Brasil apresentada por Sueli Carneiro.

Isso se reflete, entre outras coisas, na conclusão apresentada sobre a assimetria de recursos de campanha. "Como a Beatriz disse, os partidos políticos, que detêm o maior poder para designar quem vão ser os candidatos, ainda recrutam uma maioria branca, e ainda privilegiam de maneira desigual, principalmente com a questão financeira do horário de propaganda, que foi um dos pontos-chave que a gente tentou resolver nessas eleições". Nailah se refere à decisão do STF de outubro deste ano que determinou que os partidos dividam verba e tempo de TV de maneira proporcional entre candidatos negros e brancos.

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL e coletivos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.

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