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Papo Preto #8: Artes plásticas com Maxwell Alexandre

28/10/2020 04h00

Um dos mais importantes novos artistas plásticos brasileiros, o carioca Maxwell Alexandre, 30, é o entrevistado do 8º episódio do Papo Preto. Nascido, criado e morador da Rocinha, Maxwell ganhou o circuito internacional nos últimos três anos, com conquistas impressionantes como exposições individuais em museus como Museu de Arte do Rio, Musée d'Art Contemporain de Lyon (França), e as solo já agendadas na David Zwirner London Gallery (Londres) e Palais de Tokyo (Paris). No Brasil, é representado pela galeria A Gentil Carioca, onde fez sua primeira exposição individual, em 2018.

Maxwell conta que desenha desde criança, e sempre teve um talento reconhecido por adultos e pares. Isso não significa, no entanto, que nessa idade tenha sido apresentado à arte contemporânea ou à possibilidade de ser um artista profissional. Isso só aconteceu na vida adulta. "Quando você fala de um moleque preto, que nasce na favela, ser artista não é uma opção, tá ligado? Mesmo vindo do desenho, só fui ter contato com a arte contemporânea com 22 anos de idade, e isso porque consegui acessar o ensino superior", diz (a partir de 18:45 do arquivo acima).

"Por algum motivo, acho que por eu ter o desenho mais desenvolvido ali na infância, os adultos me chamavam de artista, já. Dentro do Evangelho tem essa coisa da profecia, né, do escolhido de Deus. E minha mãe sempre falava que Deus me deu o dom do desenho", reflete ele, quando olha para trás e tenta traçar seu caminho (a partir de 2:14 do arquivo acima).

Mesmo assim, lá pelos 14 anos deixou o desenho de lado. "Sempre tive muito medo de ter uma vida comum, né? Tô chamando de vida comum aqui uma vida onde você vai para escola, é educado, depois arruma um emprego, casa... Enfim, esse roteiro sempre me assustou um pouco", explica (a partir de 3:07 do arquivo acima). Começou a andar de patins street, modalidade a que se dedicou por mais de uma década, com bastante sucesso. E que, curiosamente, o levou de volta à arte.

"O patins me deu a oportunidade de viajar. Moro aqui favela da Rocinha desde que nasci, e tem alguns fenômenos aqui dentro da favela em que o mundo é o mundo nele mesmo", conta (a partir de 4:07 do arquivo acima). "Tenho amigos que falam da Barra da Tijuca como um lugar abstrato, por exemplo. Os caras realmente não saem daqui. Você tem um fenômeno que é, porque a Rocinha é muito grande, tem pessoas que ficam habitando sempre na mesma área dela. Então você cresce muito seduzido por esse mundo, é uma cidade paralela mesmo. Acho que você poder viajar, habitua a mente pra entender que o mundo não são só essas fronteiras daqui". Nas viagens, conheceu essas outras fronteiras. "Aí eu acho que esse contato com outros grupos sociais que estavam estudando, que tavam acessando a academia e fazendo fotografia, cinema e jornalismo, fez com que eu almejasse também", diz (a partir de 5:40 do arquivo acima).

Então, logo depois do serviço militar, Maxwell entrou em Comunicação Visual na PUC-Rio.

Sua vivência marca tanto o trabalho de Maxwell quanto sua consciência e abordagem do mercado da arte. Com foco mais no circuito e em sua pesquisa pessoal, ele não rejeita o mercado que descreve como "violento" - o ressignifica. Quer, sim, sua obra atingindo altos preços, não apenas pelas possibilidades que o capital traz. "Tem um sentimento ufano, mesmo, de querer fazer a coisa virar. Quero que quando as pessoas pensem Rio de Janeiro, pensem meca da arte contemporânea. Não foco nem em América Latina, nem em Brasil, falo de Rio de Janeiro mesmo. Quero que quando pensar em Rio de Janeiro, você não pense em violência, não pense em praia, você pense em arte", afirma (a partir de 16:24 do arquivo acima).

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL e coletivos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.

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