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Papo Preto #6: Mercado criativo e racismo

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

14/10/2020 04h00

Como os negros da publicidade, design e arte veem o mercado criativo ou publicitário quando conseguem acessá-lo? A ilustradora Vanessa Ferreira, conhecida como Preta Ilustra, e a designer Dora Lia, a Dila 7, contam neste sexto episódio do Papo Preto as experiências que as levaram a trilhar o caminho da independência.

A questão da representatividade, para começar, não se encerra no acesso aos espaços. O que não quer dizer que esse acesso esteja sequer perto de resolvido. O apresentador Yago Rodrigues, que também veio da publicidade, conta que trabalhou em sete agências, e todas tinham algo em comum. "Nessas sete agências, nunca trabalhei com uma mulher preta. E na maioria das agências, eu era o único negro", diz (a partir de 6:47 do arquivo acima).

Mas, uma vez conseguido o acesso, os problemas se multiplicam. Isso acontece desde a faculdade, antes do mercado de trabalho propriamente dito. "A gente passa muitos perrengues, desacreditam muito até mesmo dos nossos trabalhos como estudante", diz Dora (a partir de 4:51 do arquivo acima).

Vanessa viveu na pele uma jornada que muitos e muitas conhecem. "Sempre acreditei que era só a estar no mercado e trabalhar bastante que teria uma oportunidade para você. Mas esqueci que, no meio disso daí, eu era uma mulher preta. Então, eu sempre entrava nesses espaços como a estagiária, a assistente, a trainee e nunca tive a chance de crescer. Estava nesses espaços sempre recomeçando", conta (a partir de 3:42 do arquivo acima).

Para ela, o caminho foi a independência. "O mercado publicitário deixou de me atender enquanto criativa negra, sim. Agradeci, peguei minhas coisas, parei de usar agência de publicidade de gente branca como muleta para não investir nos meus próprios negócios. Investi no Preta Ilustra, tô crescendo, e a gente está crescendo agora como uma empresa".

Apesar de seu sucesso, as causas desse movimento não podem ser minimizadas. "A gente precisa responder algumas perguntas. Quanto custa para uma mulher preta chegar até ali. Quanto custa para uma mulher preta se manter naquele espaço", diz Vanessa (a partir de 7:59 do arquivo acima). "Ninguém pensa o quanto e o que tipo de violência esse espaço reproduz para que mulher negras olhem para ele e escolham não estar dentro desses espaços. Eu converso com várias outras mulheres, designer e criativas, que não querem voltar para o mercado publicitário por sofrerem algum tipo de violência".

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL e coletivos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.