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Papo Preto #3: Monumento, cidades e memórias contra o apagamento

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

23/09/2020 04h00

Como o racismo afeta o apagamento da história negra? Essa é a questão central do terceiro episódio do podcast Papo Preto, produzido pela agência Alma Preta, em parceria com o UOL Plural, publicado sempre às quartas-feiras.

A partir da premissa de que o racismo se manifesta nos monumentos e ruas de nossas cidades a partir tanto das pessoas pessoas que foram homenageadas quanto do apagamento de pessoas negras, o jornalista Guilherme Dias entrevista Hélio Menezes, antropólogo e curador de arte contemporânea do Centro Cultural São Paulo, e Érika Hilton, co-deputada da Bancada Ativista.

"Nós temos aí nomes de avenidas, rodovias, praças, que carregam em si a memória e a construção de destruição, de genocídio, chacina, de tragédia contra populações negras", diz Érika (a partir de 5:23 do arquivo acima). Como co-deputada estadual em um Estado de grande celebração de memória bandeirante como São Paulo, ela apresentou dois projetos de lei pedindo a substituição de homenagens ao bandeirante Anhanguera pelo nome e obra do abolicionista negro Luís Gama.

"Entendo que esses monumentos têm um papel fundamental na ação do racismo, na perpetuação da desigualdade, e uma mensagem muito explícita do lugar onde a branquitude hegemônica, que se constituiu em cima do massacre e da tortura dos povos negros, está colocada", completa (aos 7:46 do arquivo acima). "A cidade cumpre este papel de enraizar, manter viva e aprofundar essa memória escravocrata, essa memória racista, essa memória que coloca o corpo e a população negra para baixo e nos coloca como invisíveis dentro da cidade. Nós precisamos urgentemente reverter essa lógica".

Para Hélio Menezes, o assunto já vai além de questionar a biografia desses homenageados, cujos atos de violência já estão amplamente estabelecidos pela própria história. É hora, segundo ele, de nos perguntarmos quem proporcionou essas homenagens. "O que eu quero ressaltar é que essas esculturas, esses monumentos históricos, dizem muito mais respeito ao tempo e ao contexto no qual foram construídos e implementados na cidade do que, propriamente, sobre serem uma espécie de salvaguardas da história - como um certo discurso conservador tem colocado na intenção de proteger a memória sujeitos que já são bastante protegidos", explica (a partir de 11:55 do arquivo acima).

Quem, por quê e em qual momento fez essa escolha simbólica? Como esses atores continuam conduzindo essa narrativa? Essa é a busca proposta por Hélio. "Aí, quem sabe, começaremos a ver quem são os verdadeiros responsáveis pela manutenção dessa lógica excludente, racista, que homenageia e celebra personagens absolutamente marginais em nosso histórico. E digo marginais em duplo sentido", afirma (aos 16:27 do arquivo acima).

Este episódio é apresentado pelo videomaker Yago Rodrigues.

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