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Qual diferença entre lixo e resíduo e como diminuir a geração no dia a dia?

Compostagem com resíduo de vegetais e frutas Imagem: Getty Images

Giacomo Vicenzo

Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

28/06/2022 06h00

A palavra lixo é derivada do latim lix, que significa "cinza" —palavra associada às cinzas da madeira queimada e sem serventia. Muito provavelmente há uma lixeira em sua casa que recebe resíduos variados ou de acordo com a coleta seletiva. No entanto, nem tudo o que resta do preparo de alimentos ou embalagens vazias é necessariamente algo sem utilidade.

Mas, será que existe diferença entre lixo e resíduo? Para entender a definição de cada um dos termos e como diminuir a geração deles no dia a dia, Ecoa conversou com um especialista em sustentabilidade e com a representante de uma empresa que ajuda a lidar com a redução de lixo orgânico. Acompanhe a seguir.

O que é resíduo?

"Resíduos são todos os insumos que acabam sobrando de qualquer processo. Há resíduos na cozinha, no banheiro de casa e em indústrias. Então, podemos entender o resíduo como algo que sobra no final de um processo", explica Marcus Nakagawa, professor da ESPM e especialista em sustentabilidade.

Portanto, os resíduos podem existir tanto em sua cozinha —nos restos de legumes preparados para uma refeição, por exemplo—, quanto em uma fábrica, ou serem provenientes de uma construção civil. No entanto, cada qual deve ter sua destinação final planejada. Além disso, os resíduos podem estar em estado sólido, gasoso ou líquido.

Qual a diferença entre lixo e resíduo?

O lixo é entendido como algo sem serventia, que sobra ou é resto de atividades humanas. No entanto, Nakagawa alerta que há um movimento no sentido de inutilizar esse termo e substituí-lo por "resíduo".

"O termo 'lixo' acabou adquirindo uma conotação pejorativa, pois é associado a algo que não presta e que não pode mais ser utilizado. Por isso, é importante ser revisto e substituído por 'resíduo' —que dá uma ideia de que esse resíduo possa virar outra coisa dentro de outro processo", orienta o especialista em sustentabilidade.

Quando os resíduos não podem ser reciclados ou reutilizados em outros processos, ganham a nomenclatura de não recicláveis, e também podem ser chamados de rejeitos. Alguns exemplos de rejeitos com os quais lidamos diariamente são papel higiênico usado, absorventes para menstruação e fraldas. O destino final desses itens deve ser os aterros sanitários.

Como diminuir a geração de resíduo no dia a dia?

Para Nakagawa, as palavras 'reutilizar' e 'reciclar' são as mais importantes do momento em que vivemos —conhecido como a era do plástico, em que as pegadas humanas já são marcadas quase que eternamente pelos resíduos que deixamos desse material.

De acordo com o professor, os cuidados em nossa diminuição de resíduos começam ao fazermos uma simples lista de mercado. "O primeiro passo é saber o que se vai comprar. Muitas pessoas vão ao mercado e acabam comprando muito por impulso. Portanto, o conselho que dou é fazer uma lista em casa e refletir se realmente é preciso comprar aquele produto", aponta.

A busca por serviços e produtos sustentáveis é outra recomendação do especialista. "De modo geral, temos de escolher produtos com menos embalagens e/ou que contenham embalagens biodegradáveis. Cada vez mais, o mercado tem um leque de opções de produtos e serviços mais sustentáveis", afirma Nakagawa.

Para além da escolha, há também cuidados com a separação dos resíduos e até mesmo com uma rápida higienização em seu descarte, o que pode auxiliar no processo de reciclagem.

Além de separar os resíduos, é importante lavar algumas embalagens, como a do leite. Desse modo, quem trabalha com reciclagem não se depara com restos de alimentos podres e nem se perde a serventia de alguns materiais recicláveis. Basta passar uma água na caixinha.

Marcus Nakagawa, especialista em sustentabilidade

Como reaproveitar o resíduo orgânico?

Quando o assunto são restos de comida e outros resíduos orgânicos, Nakagawa lembra que é possível transformar esses materiais. "Até mesmo resíduos orgânicos estão inclusos nesse processo de reutilização e transformação. Por exemplo, resíduos da cozinha podem se transformar em adubo", diz.

Nesse sentido, a empresa Planta Feliz oferece um serviço de retirada de material orgânico em residências, condomínios e estabelecimentos comerciais na capital de São Paulo e na região metropolitana, e os destinam para a compostagem.

"Só na cidade de São Paulo são enviadas mais de 18 mil toneladas por dia de lixo para o aterro, sendo que podemos colocar que 55% desses resíduos são orgânicos e poderiam ter a destinação correta, que é a compostagem", defende Marina Sierra de Camargo, fundadora da Planta Feliz, sobre a importância do serviço e a preocupação com esse tipo de resíduo.

Marina aponta que uma casa geralmente tem três frações de resíduos, sendo elas recicláveis, compostáveis e que devem ser direcionadas ao aterro. "Em uma casa os resíduos são geralmente 55% compostáveis, 35% recicláveis e 10% destinados ao aterro. Para o aterro só deve ir o que realmente não temos tecnologia para reciclar ou reutilizar", explica.

"Com a compostagem, que é a reciclagem dos alimentos, fechamos esse ciclo e devolvemos para a terra um adubo de extrema qualidade quando separamos nossos resíduos corretamente. Os impactos das mudanças climáticas são diminuídos, pois deixamos de contaminar água, solo e ar", completa.

Repensar a geração de resíduos, sejam eles de qualquer tipo, impacta positivamente o meio ambiente e pode ajudar a amenizar os impactos das mudanças climáticas.

"Pensar na redução de resíduos que geramos é fundamental, pois os resíduos mostram o que consumimos e estão ligados à emissão de carbono, às mudanças climáticas e à contaminação da natureza como um todo", afirma Nakagawa.

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