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Empresário cria app com biometria facial para encontrar animais perdidos

Carlos Fabbro, idealizador do aplicativo Pupz, e a golden retriever Chanel - Arquivo pessoal
Carlos Fabbro, idealizador do aplicativo Pupz, e a golden retriever Chanel Imagem: Arquivo pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Ecoa, do Recife (PE)

12/05/2022 06h00

A angústia de não saber onde está um animal de estimação perdido está com os dias contados. É o que promete um app que usa biometria facial para conectar tutores a pessoas que encontrarem os pets pelas ruas. Criado por um empresário paulista do ramo da telefonia, o Pupz é gratuito para Android e iOS e já reúne 2,5 mil usuários cadastrados — sem contar aqueles que acessam a plataforma via navegador, sem fazer cadastro.

O sistema, que opera há aproximadamente um ano, já contabilizou cerca de 4 mil conversas. Como esses chats são usados para trocar informações sobre pets perdidos, o criador estima que esse seja o número aproximado de cães e gatos encontrados com a ajuda do Pupz.

Segundo Carlos Fabbro, 42 anos, idealizador da ferramenta, a ideia surgiu em 2019, quando ele retornou ao Brasil após um curso no exterior. Ele decidiu dar início ao projeto inspirado no sumiço de seu cão, Yuri, quando ainda era criança. "Uma noite, ele passou pelo portão que havia na minha casa e nunca mais apareceu. Essa lembrança me veio à cabeça quando estudava fora do país e decidi criar soluções baseadas em tecnologia de ponta para ajudar outros tutores a não passarem pelo mesmo", afirma.

Fabbro conta que nutre um carinho pelos animais desde pequeno. "Sempre gostei, inclusive, de conversar com eles quando tomava bronca dos meus pais por ter feito bagunça. Eu abraçava meus gatos e cachorros, desabafava com eles e sempre ficava melhor", diz o empreendedor, que atualmente curte a companhia da golden retriever Chanel.

O aplicativo Pupz foi 100% desenvolvido no Brasil. Para utilizar o mecanismo, basta fazer o download, efetuar o login com a conta do Google, Facebook ou e-mail, e adicionar o cadastro, que reúne todos os dados do animal em prontuários (que podem ser acessados por chips instalados nas coleiras). Além disso, é preciso agregar fotos da face e do focinho do pet para que o app ative o reconhecimento.

Se o cão ou gato cadastrado no sistema se perder, quem encontrá-lo na rua poderá tirar uma foto do focinho e subir no aplicativo. Assim, a rede neural realiza a biometria facial, que acusa que ele está perdido e indica quem é o tutor. Daí para a frente, abre-se um chat privado entre a pessoa que encontrou e o tutor — as informações são criptografadas. "Uma novidade que deve estar disponível em breve é a possibilidade de quem perder o animal ativar um alerta do aplicativo", explica Fabbro.

Pupz - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Fabbro criou app que já ajudou cerca de quatro mil pessoas a localizarem cães e gatos perdidos
Imagem: Arquivo pessoal

Quando o projeto teve início, em 2019, o empreendedor produziu três MVPs (Mínimo Produto Viável), versões mais simples e enxutas do produto para verificar se a entrega de valor fazia sentido para os clientes. Assim, conseguiu validar o aplicativo antes de seu lançamento oficial e fazer correções.

"Na metade de 2020, começamos o desenvolvimento da Rede Neural Convolucional para o reconhecimento das faces de cachorros e gatos. Em novembro do mesmo ano, a nossa rede já estava funcionando com um índice de assertividade/acuracidade acima de 90%. O nosso plano era lançar no mercado em dezembro de 2020, mas nós tivemos problemas com a importação dos microchips que são colocados dentro das coleiras", disse.

Ao longo da idealização do app, a equipe enfrentou dificuldades técnicas. O empresário lembra que o maior obstáculo foi a aquisição de servidores potentes o bastante para suportar o processamento de milhares de imagens e treinar o algoritmo da rede neural. A maioria destes servidores, acrescenta, não é comercializada no Brasil.

"Mesmo tentando contratar servidores de fora do país, não conseguimos. Além de não aceitarem nossos cartões de crédito, eles bloqueavam nossos IPs do Brasil e não conseguíamos finalizar as contratações. Resolvemos o problema criando uma conta no exterior, com endereço e cartão de crédito do exterior. Muitos dos acessos às tecnologias de ponta são restritos na América do Sul. As grandes empresas priorizam os desenvolvimentos que sejam feitos na América do Norte", comenta.

'iFood dos pets'

O aplicativo já faz tanto sucesso entre os amantes dos animais que está concorrendo ao prêmio iBest, na categoria SuperApp. "Aos poucos, estamos trazendo os petshops e veterinários para vender produtos e fazer serviços dentro do app", diz Fabbro.

"Vamos incluir também planos de saúde, serviços de táxi, passeadores, adestradores e serviços de despedida, como cemitério e cremação. Nossa proposta é ser o iFood dos pets no longo prazo. Tudo o que você precisar para o seu pet estará em um app só", adianta.