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Empresas que mudam

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Einstein zera descarte e doa 7,8 toneladas de tecido hospitalar para ONGs

Bolsa feita com tecido recilado do Hospital Albert Einstein - Divulgação
Bolsa feita com tecido recilado do Hospital Albert Einstein Imagem: Divulgação

Camilla Freitas

De Ecoa UOL, em São Paulo (SP)

07/04/2022 06h00

Cerca de 290 mil toneladas de resíduos de saúde — os materiais descartados por farmácias, hospitais, clínicas e locais do tipo — foram coletados em municípios do Brasil em 2020. O número representa um índice de 1,4 kg de lixo hospitalar por pessoa, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).

Só no Hospital Israelita Albert Einstein eram geradas cerca de 7,8 toneladas de resíduos apenas têxteis, como uniformes e enxovais, o que não acontece mais. É que, por meio do projeto Up Luxo, que tem como base a economia circular, o hospital de São Paulo conseguiu zerar esse descarte antes feito em aterros sanitários ao reutilizar os tecidos, já higienizados, para a confecção de produtos como bolsas e necessaires. A produção é feita por ONGs e pequenas empresas parceiras.

"O que buscávamos era uma ação com viabilidade e sustentabilidade econômica, ambiental e social, que pudesse ganhar escala e passar a fazer parte da rotina de outros hospitais, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte", pontua Junia Gontijo, diretora-executiva de Patrimônio, Engenharia e Infraestrutura do Einstein.

O Up Luxo criou mecanismos focados no reúso, na transformação e reciclagem, permitindo que zerássemos o descarte em aterros. Para isso, foram aplicados modelos internos de promoção de inovação, que permitiram que chegássemos a essa solução.

Junia Gontijo, diretora-executiva de Patrimônio, Engenharia e Infraestrutura do Einstein

Costurando sonhos

Costurando Sonhos - André Porto/UOL - André Porto/UOL
Trabalhadora na oficina do projeto Costurando Sonhos em Paraisópolis, favela da zona sul de São Paulo
Imagem: André Porto/UOL

O Up Luxo tem como característica não só colaborar com o meio ambiente na diminuição de descarte de resíduo hospitalar, mas também gerar impacto social. Segundo o Albert Einstein, o projeto gera trabalho e renda para 80 costureiras. Entre elas, estão as integrantes do projeto Costurando Sonhos Brasil, que nasceu com o intuito de acolher mulheres de Paraisópolis vítimas da violência doméstica por meio da capacitação em corte e costura.

"O Einstein higieniza e descontamina os uniformes e os enxovais, que são retirados para serem disponibilizados às costureiras", explica Sueli do Socorro do Espírito Santo Feio, integrante do projeto.

Em alguns casos, o próprio Einstein pode fazer a recompra dos produtos para distribuição de brindes e doações. Segundo o hospital, a capacidade de produção pelos parceiros é de cerca de 3 mil peças por mês. A produção da Costurando Sonhos é de 400 ecobags.

O UP Luxo com certeza fará a diferença na vida dessas mulheres. Poderemos produzir, a partir dos tecidos retirados no Einstein, bolsas e sacolas retornáveis, baby bags, estojos e nécessaires para venda, gerando renda para essas famílias.

Sueli do Socorro do Espírito Santo Feio

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