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'Se pessoa com deficiência me vê, se sente motivada', diz ator Breno Viola

Carmen Lúcia

Colaboração para Ecoa, do Rio de Janeiro (RJ)

21/03/2022 06h00

Breno Viola está com a ansiedade à flor da pele. O judoca faixa preta, apresentador, criador de conteúdo digital e ator volta ao set de gravação no segundo semestre deste ano para rodar "Colegas 2". O filme, que estreou sua primeira versão em 2012, conta a história de três amigos com síndrome de Down que roubam um carro e resolvem cair no mundo no intuito de realizar seus sonhos. Para celebrar o Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado hoje (21), Ecoa conversou com o carioca de 41 anos.

"Hoje é um dia muito importante. Não podemos ser esquecidos pela sociedade. É um dia de comemoração e da nossa luta estar sendo relembrada. Nós somos seres humanos, como as pessoas que não têm deficiência. Ser diferente é normal, ninguém é igual a ninguém. Vejo a síndrome como uma característica. Tenho uma genética diferente das outras pessoas. Tem gente que acha que a gente não é capaz por isso. Mas nós somos capazes, sim, de casar, de ter uma família, de fazer uma novela, de lutar judô, de fazer um filme e de dar motivação para que outras pessoas possam fazer tudo isso também", afirma.

O ator Breno Viola também luta judô - Daniela Dacorso/Divulgação - Daniela Dacorso/Divulgação
O ator Breno Viola também luta judô
Imagem: Daniela Dacorso/Divulgação

Apaixonado pelo que faz, Breno conta como está a preparação para voltar às telonas. "Estou com saudade do set. O primeiro filme já foi o maior sucesso. Dez anos se passaram e, até hoje, as pessoas me reconhecem pelo trabalho que fiz. Adorei fazer cinema, atuar era um sonho meu desde pequenininho — eu ficava imitando os atores na televisão".

Para Breno, a inclusão de pessoas com deficiência no audiovisual é extremante necessária por seu poder de transformar a forma como a sociedade os vê, além de inspirar quem vive com alguma deficiência. "Quando a gente fez o filme, muitas pessoas falaram: 'Nossa, eu me surpreendi, eles fizeram um filme e nós gostamos muito'. Eu acho que tem que ter muita gente com deficiência em geral, não só as com síndrome de Down, fazendo novelas, cinema, teatro e ocupando outros espaços na sociedade. Por exemplo, eu faço judô, muita gente me vê como inspiração. Eles pensam que se eu posso, eles também podem. A mesma coisa com o cinema, com a televisão, com os comerciais. Se uma pessoa com deficiência me vê, vai se sentir representada e mais motivada para fazer também. Isso é inspiração."

O filme abriu muitas portas para Breno no audiovisual. Depois do longa, dividiu um quadro no Fantástico com o médico Drauzio Varella e fez algumas campanhas. O cinema também lhe trouxe outro presente bastante especial. "Por causa deste trabalho, eu conheci a Samanta [Quadrado], que foi figurante em Colegas, e hoje nós somos casados, moramos juntos aqui no Rio de Janeiro".

Atualmente, sua mulher, que também tem síndrome de Down, está no ar na novela 'Um Lugar ao Sol', vivendo a personagem Mel. Em casa, é Samantha quem o incentiva a sonhar - Breno quer dividir cenas com a atriz Juliana Paes. "Quero muito fazer uma novela, é uma coisa que desde pequenininho eu sempre busquei. Vejo aqueles tapas e beijos na novela e penso: 'Por quê eles podem e eu não?'", pergunta.

Com pouco mais de 12 mil seguidores, Breno usa o Instagram (@breno.viola) para reverberar suas ideias e alcançar outros públicos. "Quero ser um influenciador", diz.

Dicas de Breno Viola para seguir das redes

"Acho legal o trabalho nas redes da Samanta Quadrado, do Ariel Goldenberg, da Tathi Piancastelli e do Matheus Colmatti"

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