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Empresas que mudam

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Ambev: Hub de inovação investe até R$185 mil em empreendedores da ZL de SP

Fachada de salão de beleza em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo - Rivaldo Gomes/Folhapress
Fachada de salão de beleza em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo Imagem: Rivaldo Gomes/Folhapress

Juliana Domingos de Lima

De Ecoa, em São Paulo (SP)

15/02/2022 06h00

Um novo programa para acelerar empreendedores de baixa renda estará com inscrições abertas a partir de amanhã (16). Voltado a impulsionar negócios inovadores da zona leste de São Paulo, o programa Somar foi criado pela ZX Ventures — hub de parcerias e inovação da Ambev —, em colaboração com a Gerando Falcões e a empresa B2Mamy, uma aceleradora focada na capacitação e emancipação financeira de mulheres mães.

O investimento total será de até R$ 185 mil, financiados pela AB InBev Foundation, fundação ligada à multinacional, e pela ZX Ventures. Os empreendedores selecionados receberão um aporte de até R$ 17 mil, além de treinamentos e mentoria sobre gestão empresarial, marketing digital e negócios.

O programa irá selecionar até 20 negócios de destaque da região, de qualquer segmento, encabeçados por empreendedores de baixa renda maiores de 18 anos. Os empreendimentos inscritos podem ou não já estar gerando receita e serão avaliados pelo nível de inovação, impacto e potencial de geração de renda na comunidade.

Por que na Zona Leste?

A Ecoa, a ZX Ventures esclareceu que a escolha da região tem duas justificativas. A primeira é o trabalho que a Gerando Falcões já desenvolve na zona leste, o que permitirá o fornecimento da estrutura física e de conexões com líderes de comunidades locais para dar suporte ao programa.

Em segundo lugar, o hub aponta que a região está entre as que têm maior número de empreendedores de baixa renda e que geram mais riqueza a partir desse tipo de empreendimento, o que aumenta o potencial de impacto do programa. No futuro, a ideia é aumentar a abrangência do programa para outros territórios.

O anúncio acontece em um contexto particularmente crítico para empreendedores de menor renda e donos de pequenos negócios. Segundo pesquisa realizada pelo Sebrae e FGV sobre o impacto da pandemia de covid-19 nesses empreendimentos, 62% das MPE (micro e pequenas empresas) e 73% dos MEI (microempreendedores individuais) ainda enfrentam redução no faturamento devido à crise sanitária no levantamento feito no fim do ano passado. Essa proporção foi ainda maior ao longo de 2020 e 2021.

Nesse mesmo cenário, a alta do desemprego tem levado cada vez mais pessoas a empreender por necessidade.

Outras ações mostram resultados

O programa é a primeira iniciativa de aceleração com recorte social lançada pela ZX Ventures, mas segue um histórico de ações recentes da Ambev para impulsionar ONGs, empreendedores negros e startups voltadas para a criação de soluções em ESG (sigla para as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa ou organização).

Nesse último âmbito, a multinacional vem desenvolvendo o programa Aceleradora 100+, que já gerou mais de R$ 13 milhões em investimentos e negócios e conta com um portfólio de 39 startups aceleradas na área de sustentabilidade - entre elas a Já Fui Mandioca, de bioembalagens, e a ManejeBem, de assistência técnica agrícola para pequenos produtores.

Atualmente, o programa está na terceira edição, da qual participam nove startups. Uma delas é a Água Camelo, projeto em que apoiadores custeiam a distribuição de um equipamento que garante o acesso à água potável para famílias vulneráveis e que já foi tema de reportagem em Ecoa.

"As grandes empresas são essenciais para darmos escala ao impacto que as startups se propõe a gerar, não só por conta do aporte de capital, mas de toda a expertise que elas podem agregar para aumentar o impacto na ponta, que é o nosso foco", disse o diretor executivo e cofundador da Água Camelo, Rodrigo Belli.

Segundo Belli, a aceleração possibilitou uma mudança no modelo de negócios da startup e o desenvolvimento de um piloto voltado para o crescimento do negócio.

"A gente acredita que agora, encerrando essa etapa, estamos prontos para dar um próximo passo em relação à escala da nossa atuação, principalmente dentro da Amazônia", compartilhou o empreendedor.

Por meio de um outro programa, chamado VOA, a Ambev tem colaborado para fortalecer a atuação de ONGs. O VOA consiste em um voluntariado no qual profissionais da empresa doam horas de trabalho para oferecer capacitação em gestão para as ONGs. Desde 2018, mais de 30 mil horas foram doadas.

Uma das organizações participantes da mentoria, o Instituto Novo Sertão, do Piauí, trabalha com comunidades locais gerando renda e promovendo a cultura e a educação. Em 2021, foi listado entre as 100 melhores ONGs do Brasil no Prêmio Melhores ONGs e finalista do Prêmio Empreendedor Social da Folha de S.Paulo com os "Quintais Produtivos Agroecológicos", iniciativa que incentivou famílias do semiárido a plantarem orgânicos para seu consumo e a vender o excedente para gerar renda durante a pandemia.

Segundo o diretor do instituto, José Carlos Brito Filho, o suporte do programa durou dois anos e se deu justamente no período da pandemia, em que a organização estava precisando rever suas estratégias. O VOA ajudou o instituto a aumentar a arrecadação de recursos, conquistar prêmios e selos que lhe deram destaque na região.

"O VOA pavimentou esse reconhecimento, nos ajudou a definir aonde queríamos chegar e como chegaríamos lá. O VOA foi super importante para atingirmos esses grandes objetivos. Para esse ano, a gente quer usar toda essa experiência para avançar e conseguir voar mais alto. Temos muito a agradecer a eles e indicamos para toda organização que quer realmente ser séria e gerar impacto no seu território", disse Brito a Ecoa.

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