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Estudantes e professores da USP oferecem oficinas de memória para idosos

Terezinha de Jesus Dacanal e Aparecida Dacanal Cossalter, participantes da oficina - Arquivo pessoal/ Jornal da USP
Terezinha de Jesus Dacanal e Aparecida Dacanal Cossalter, participantes da oficina Imagem: Arquivo pessoal/ Jornal da USP

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP)

17/01/2022 06h00

Quando somos mais jovens e frequentamos escolas ou estamos no mercado de trabalho, estamos constantemente aprendendo coisas novas e desafiando o cérebro. Depois, se ficamos afastados de novas aprendizagens, podemos deixar de criar e fortalecer as conexões cerebrais. Por isso é tão importante exercitar a memória quando ficamos mais velhos.

A preocupação em manter a agilidade mental e os reflexos em dia levou as irmãs Terezinha de Jesus Dacanal, 81 anos, e Aparecida Maria Dacanal Cossalter, 78, a participar das oficinas para idosos promovidas por alunos e professores do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

"Os encontros nos ajudam a manter contato com outras pessoas e com diferentes rotinas, o que nos mantém ativas e saudáveis física e mentalmente. Além disso, ajuda a memória, a agilidade mental, o reflexo e a concentração", contou Terezinha ao Jornal da USP.

A iniciativa surgiu em 2011 como parte de uma disciplina coordenada pela Profa. Dra. Patrícia Pupin Mandrá chamada Estágio em Atenção à Comunidade no curso de Fonoaudiologia da FMRP-USP. O objetivo é proporcionar aos estudantes uma aproximação com a comunidade e promover vivências em promoção e prevenção de saúde. Os alunos estagiam em algumas escolas e em unidades de saúde da família conveniadas com o município de Ribeirão Preto (SP).

A oficina de memória foi criada para atender tanto a demanda dos usuários idosos cadastrados nessas unidades quanto o interesse do curso em dar oportunidade aos estagiários de participar dessas vivências de grupos.

Tatiane - Divulgação - Divulgação
A fonoaudióloga Tatiane Martins Jorge, docente no curso de Fonoaudiologia da FMRP-USP, faz parte do projeto de oficinas para idosos desde a sua criação
Imagem: Divulgação

"Realizar atividades de atenção, concentração e memória, tanto em casa quanto em outros espaços, em grupo ou isoladamente, estimula a formação de novas conexões cerebrais e o fortalecimento de antigas", diz a Ecoa a fonoaudióloga Tatiane Martins Jorge, docente no curso de Fonoaudiologia da FMRP-USP e envolvida no projeto desde o seu início, que ocorria de forma regular antes da pandemia.

Os encontros eram semanais e as estratégias de memória eram conduzidas pelos estagiários de Fonoaudiologia com supervisão de técnicos e docentes. Participavam, aproximadamente, 10 idosos e o objetivo principal era fortalecer o vínculo entre eles, ampliando a rede social de apoio. As oficinas também criavam oportunidades para estimular a memória de curto prazo, bem como a atenção, além de ser um espaço para ações de educação em saúde.

A memória de curto prazo é aquela que precisamos ter para memorizar números de telefone ou nomes de pessoas que acabamos de conhecer. "Nos encontros presenciais apresentávamos os estímulos que deveriam ser memorizados, como sequências de números, de cores, de frutas. A apresentação ocorria por diferentes vias (auditiva, visual, tátil, sinestésica, olfativa). O número de estímulos aumentava em função do desempenho deles", explica Tatiane.

Segundo ela, a satisfação com a própria memória e o prazer por sentir que foi capaz de fazer ou de tentar, aliados aos momentos de interação com outras pessoas, têm um impacto positivo na qualidade de vida.

Durante a pandemia, os alunos e professores desenvolveram estratégias para levar às casas das pessoas e prepararam pequenos vídeos com algumas atividades disponibilizadas em grupos de WhatsApp. Os participantes relatam gostar do espaço que foi criado para eles, tanto pelo vínculo que se estabeleceu entre os integrantes quanto pelos desafios oferecidos nas atividades, conta a especialista.

Por que as pessoas tendem a perder a memória com o avanço da idade?

Segundo a fonoaudióloga, é importante estarmos atentos às queixas de memória que apresentamos. "Algumas condições de saúde, como demências, podem trazer esquecimentos frequentes (sobre fatos do presente e do passado) e dificuldades em adquirir novas aprendizagens. Por isso, é essencial buscar avaliação médica nos casos de sintomas de esquecimentos, tanto para o diagnóstico quanto para a definição de condutas", diz.

Mas é importante ressaltar que envelhecer não significa perder a memória (a menos que uma condição como a citada acima esteja presente). O que ocorre, muitas vezes, é que deixamos de exercitar o cérebro, deixamos de ativar, fortalecer e de criar novas conexões cerebrais, ressalta.

Como treinar a memória no dia a dia

Tatiane diz que é importante sair do automatismo e estar aberto ao novo. Por exemplo: se tiver computador em casa, pedir que alguém ensine como ligá-lo e a fazer algumas operações, aprender a usar aplicativos em celular, fazer uma receita diferente...

Também é muito importante se propor a exercitar a memória ao fazer compras, por exemplo. Antes de ir ao mercado, é interessante fazer uma lista com muita atenção. Uma dica é ir em todos os ambientes da casa e verificar o que tem e o que não tem. Anotar o que falta e a quantidade. Também é interessante que os itens sejam anotados dentro de categorias (banheiro, cozinha, lavanderia etc.).

Além disso, outra estratégia é repetir para si o que está faltando. Levar a lista ao mercado, mas tentar fazer as compras sem olhá-la. Depois, checar se faltou algo ou pegou algo de que não precisava.