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Mobilização de estudantes ajuda indígenas venezuelanos no agreste alagoano

Estudantes conseguiram um abrigo para indígenas e fazem campanha para arrecadar alimentos - Arquivo pessoal
Estudantes conseguiram um abrigo para indígenas e fazem campanha para arrecadar alimentos Imagem: Arquivo pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para Ecoa, em Maceió

03/12/2021 06h00

Foi voltando de uma viagem com uma amiga no dia 4 de outubro que a estudante Natally Tamara, de 22 anos, encontrou um grupo de indígenas venezuelanos acampados na rodoviária de Arapiraca (a 130 km de Maceió, no semiárido de Alagoas).

Eles vinham de Natal, no Rio Grande do Norte, onde haviam morado por dois anos em um abrigo, e estavam no local havia três dias. "A gente então começou a conversar, perguntou o que estava acontecendo. Tínhamos um casamento para ir à noite, mas a gente foi e, às pressas, fez um cuscuz e levou para eles jantarem. Dissemos que no outro dia voltaríamos para conversar melhor", conta.

A partir da iniciativa dela, uma campanha foi lançada nas redes sociais para mobilizar e ajudar o grupo que deixou a Venezuela por conta da crise econômica que assola o país. Agora, eles desejam um terreno para que as 10 famílias (40 pessoas ao todo) se estabeleçam na cidade.

A saga por um local

No dia seguinte, Natally e a amiga voltaram lá. "Pedimos as roupas deles para lavar e trouxemos para casa. Ajudamos também, lá na rodoviária mesmo, algumas crianças a tomarem banho - que não estavam conseguindo porque o banho custava R$ 7. À noite preparamos um café e devolvemos as roupas lavadas", diz.

venezuelanos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Por uma conta de Instagram e um grupo no WhatsApp estudantes conseguiram doações de alimentos
Imagem: Arquivo pessoal

Para surpresa de Natally, ao voltar, eles não estavam mais lá: estavam na praça em frente da rodoviária. "Essa praça é toda aberta, não tem coberta. Eles tinham sido expulsos", diz.

"Conversamos com o diretor da rodoviária e pedimos para que eles pudessem ficar lá mais uma noite por causa da coberta, porque estava chovendo no dia. Aí a gente teve que pensar em uma outra solução", conta.

A solução achada foi levá-los para a praça da prefeitura, onde havia uma tenda. "Demos várias viagens de carro e ainda chamamos um Uber para ajudar. A partir dali, fomos acompanhando todos os dias, e a gente foi conhecendo melhor a cultura e os costumes deles. Foi aí que começamos um movimento para ajudá-los: criei uma conta de Instagram e um grupo no WhatsApp", explica.

As pessoas começaram, então, a se mobilizar para ajudar. "Elas trouxeram doações de comida e dinheiro, que serviu para que a gente pudesse alugar o salão onde estão hoje", conta.

Os voluntários agora cobram os órgãos públicos para que forneçam ajuda. "Tivemos duas reuniões com a prefeitura, mas até agora não deram muita coisa. A gente está também em contato com a Funai, e eles estão tendo discussões para ver como resolver a situação", conta.

O problema principal hoje, diz Natally, é que os vizinhos do salão alugado são contra a presença dos indígenas no local e querem um novo alojamento para eles. "Desde que chegaram, os vizinhos não concordaram com eles lá. No momento estamos aguardando a posição da prefeitura sobre um novo lugar", diz.

Cacique agradece e quer ficar

Ecoa conversou com o líder dos indígenas, o cacique Aníbal Perez. Ele afirma que o desejo do grupo é ficar em Arapiraca. "A gente morou mais de dois anos em Natal, em um abrigo junto a moradores de rua. Não conseguimos nada [de trabalho] lá, nem recebíamos Bolsa Família. E eu sou pai de família, precisava de algo. Por isso mudamos para cá e vamos tentar", conta.

Ele diz que tem contado com apoio dos moradores locais, que têm ajudado. Eles esperam agora que o poder público os ajude com uma área rural para se estabelecerem. "A gente quer apenas um terreno para criar animais e plantar", afirma.

Para ajudar o trabalho de acolhimento, acesso o perfil do projeto no Instagram. É possível também fazer uma doação em dinheiro via pix (chave celular): 8298222-2847 / 7998862-5597