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Christiane Torloni: "Não adianta discurso bonito sem mudar comportamento"

Christiane Torloni na Amazônia - Reprodução/Instagram @christorloni
Christiane Torloni na Amazônia Imagem: Reprodução/Instagram @christorloni

Camilla Freitas

De Ecoa, em São Paulo (SP)

04/11/2021 06h00

Christiane Torloni não é só uma atriz de sucesso. Com mais de 45 anos de carreira, ela também coleciona ações em defesa do meio ambiente. Em 2007, saiu pelo Brasil com a campanha Amazônia Para Sempre para recolher assinaturas contra o desmatamento da região. Desde 2011, é conselheira da ONG Fundação Amazônia Sustentável, além de ter lançado o filme "Amazônia - O despertar da Florestania" em 2019, fruto de cerca de sete anos de pesquisa.

"A urgência que me levou para o caminho do ativismo", lembrou em entrevista a Ecoa em setembro deste ano. Por sua atuação, a atriz é uma das finalistas ao 1º Prêmio Ecoa na categoria Vozes que Ecoam, que vai premiar personalidades que estão usando sua voz para incentivar o público na busca por um mundo melhor. Ela disputa o Prêmio com o escritor e filósofo Ailton Krenak, os atores Bruno Gagliasso e Lázaro Ramos, e a ambientalista Marina Silva.

A categoria Vozes que Ecoam é totalmente definida pela participação do público, desde a escolha dos finalistas. Para votar, clique aqui ou vá ao fim desta entrevista.

Ecoa - Como inspirar as pessoas a tomar parte nessa luta?

Christiane Torloni - O que inspira as pessoas é ação, exemplo. Eu vejo como um exemplo o Amazônia Para Sempre, manifesto que fizemos de 2007 a 2009 com quase dois anos de campanha por todo o Brasil, captando assinatura das pessoas, indo a programas de televisão, até 1,2 milhão de pessoas assinarem. O filme "Amazônia, o despertar da florestania" também é um exemplo. Você fica sete anos fazendo um filme, trabalhando e falando nas mídias sobre isso, denunciando o que está errado. Esse tempo que você dá da sua vida por uma causa tem materialidade, as pessoas veem isso. E, às vezes, elas estão em casa sem saber o que fazer e ao ver que alguém está fazendo e esse alguém é uma pessoa com a qual ela tem uma relação empática, isso as acorda. Mas tem que ter ação, tem que ter exemplo, se não é só discurso.

Qual a importância de usar sua voz, enquanto pessoa pública, para divulgar causas sociais e ambientais?

A importância significa a responsabilidade que a gente tem. Eu boto a minha carreira, 46 anos de trabalho, a serviço das coisas nas quais acredito. Há 30 anos para as Diretas Já, há 12 para o Amazônia Para Sempre, agora com o filme. Levantar uma bandeira é uma grande responsabilidade. Você é o patrocinador da sua causa, você paga sua passagem de avião, vai para onde tem que ir. Eu, como conselheira da Fundação Amazônia Sustentável há anos, tenho uma trabalheira de uma grande responsabilidade, mas é essencial que seja assim.

Christiane Torloni na Amazônia - Reprodução/Instagram @christorloni - Reprodução/Instagram @christorloni
"A urgência me levou para o caminho do ativismo", diz Christiane Torloni
Imagem: Reprodução/Instagram @christorloni

Que mudança você gostaria de provocar com a sua atuação?

Uma mudança de comportamento. Não adianta você fazer um discurso bonito se ele não está sendo fundamentado em uma mudança de comportamento. Nesse momento, a gente tem um péssimo exemplo tentando desmontar todas as colunas que possam trazer essa transformação. Então, mais do que em anos anteriores, é importante reforçar as instituições de educação que se tem no país, porque essas sim podem provocar uma mudança real.

A gente só vai ver uma mudança de emissão de gás carbônico realmente quando as pessoas mudarem de hábito, quando elas disserem que não vão comer carne de gado que significa a destruição da Amazônia, comida que significa destruição das terras indígenas.

O consumidor tem uma ferramenta na mão semelhante ao do cidadão com o voto que pode dizer 'eu não quero mais esse presidente, esse deputado e esse senador'. Os consumidores podem escolher não dar dinheiro para certas instituições que destroem o planeta que elas querem salvo. Essas são as mudanças que eu quero ver.

O que/quem te inspira a seguir tendo esperança neste futuro melhor?

Eu sou apaixonada pelo Brasil, pela minha terra, ela me inspira a seguir em frente. Nem todas as pessoas que lutam pelo Brasil são brasileiras, como o Frans Krajcberg [artista plástico polonês naturalizado brasileiro] que para mim é um farol na minha luta. Ele foi um sujeito importantíssimo no meu amadurecimento como ativista. Ele nunca tinha descanso para a luta, ele era um homem que dizia que precisávamos lutar sempre, porque a batalha pode não estar vencida agora e talvez nunca esteja mas que era bom reforçar as correntes que querem que o mundo seja melhor.

Eu fico muito feliz de ver essa nova geração, a meninada do Fridays For the Future, todas essas Gretas que existem no mundo e que convergem em uma única voz, indo para as ruas do mundo todo também me inspiram. A ideia da rede é essencial, você não está lutando sozinho.

Christiane Torloni, atriz e ativista ambiental

Vote também na categoria Fizeram História que reúne 14 pessoas que descobriram coisas, lutaram por causas, desafiaram padrões e deixaram contribuições relevantes para a construção de um mundo melhor, mais justo, diverso e sustentável. Conheça a história de cada uma delas aqui em Ecoa e vote abaixo na sua favorita.

A premiação nasceu para reconhecer e impulsionar as histórias e soluções de quem está na linha de frente da transformação social no Brasil. O Prêmio ECOA quer agregar valor tanto às iniciativas, pessoas e empresas indicadas quanto para a sociedade brasileira, amplificando as vozes que são silenciadas e construindo pontes entre agentes de transformação, audiência e a sociedade, de forma propositiva e inspiradora.